Marta Freitas fala em falhanço do Governo Regional na saúde
A deputada do PS Madeira, Marta Freitas, acusou hoje o Governo Regional de ter falhado na gestão do sector da saúde, apontando problemas estruturais que, segundo afirmou, continuam sem resposta e estão a agravar-se em várias áreas do Serviço Regional de Saúde.
Intervindo no período antes da ordem do dia da Assembleia Legislativa da Madeira, a parlamentar socialista centrou grande parte da sua intervenção na situação das chamadas altas problemáticas, criticando a transferência de cerca de 30 utentes com alta clínica para a cave do Hospital Dr. João de Almada.
Para Marta Freitas, esta situação demonstra “o resultado de anos de falta de planeamento”, recordando que o número de utentes em situação de alta clínica sem resposta adequada continua a aumentar. A deputada defendeu que a ocupação prolongada de camas hospitalares por estes doentes acaba por bloquear o funcionamento de todo o sistema de saúde, desde as urgências ao internamento e à actividade cirúrgica.
A socialista alertou igualmente para o desgaste crescente dos profissionais de saúde, referindo os recentes casos de enfermeiros que recorreram a declarações de escusa de responsabilidade, quer nos serviços de urgência quer na medicina intensiva. Segundo afirmou, o funcionamento do sistema continua demasiado dependente de horas extraordinárias e de equipas sujeitas a uma pressão permanente.
Outro dos temas destacados foi o aumento das listas de espera para consultas e exames. Marta Freitas referiu dados que apontam para mais de 60 mil referenciações para consultas e mais de 66 mil para exames e meios complementares de diagnóstico em 2025, números superiores aos registados no ano anterior. A deputada criticou ainda a existência de processos pendentes com datas que remontam a 2013, 2014 e 2015, defendendo maior transparência sobre os tempos de espera e os casos que ultrapassam os tempos máximos de resposta garantidos.
A parlamentar manifestou também preocupação com as alterações introduzidas no acesso à Medicina Física e de Reabilitação, considerando que as novas regras, que incluem copagamentos e limitações de acesso, poderão dificultar o acompanhamento de muitos utentes e aumentar a dependência futura de cuidados de saúde.
Na sua intervenção, Marta Freitas abordou ainda a situação financeira do SESARAM, referindo problemas de tesouraria, atrasos em pagamentos a profissionais de saúde e prestadores de serviços, bem como dificuldades relacionadas com a aquisição de medicamentos. Defendeu que estes problemas acabam por ter impacto directo na qualidade da resposta prestada aos utentes.
A deputada socialista sublinhou que o PS tem apresentado várias propostas para a área da saúde, incluindo medidas relacionadas com a saúde mental, combate às dependências, oncologia, rastreios e reforço da rede de cuidados continuados.
Concluindo a sua intervenção, Marta Freitas considerou que os diversos problemas identificados — desde as altas problemáticas às listas de espera, passando pela pressão sobre os profissionais, dificuldades financeiras e atrasos nos serviços — revelam “um padrão de governação” que compromete a qualidade da resposta do Serviço Regional de Saúde. A deputada defendeu que os madeirenses e porto-santenses merecem um sistema de saúde “com dignidade, transparência e respeito pelos utentes e pelos profissionais”.
Oposição diz que Albuquerque deixa madeirenses em lista de espera
O JPP por Alfredo Gouveia e Élvio Sosua, deu exemplos, como o aumento das listas de espera em fisioterapia, para ilustrar a situação na saúde.
Élvio Sousa manifestou indignação com Albuquerque dizer que é preciso cortar nas despesas da saúde, mas que “não tem vergonha de gastar meio milhão de euros numa prova de vinha”. É um presidente que está a deixar os madeirenses em lista de espera, referiu.
Hugo Nunes (Chega) disse concordar com uma coisa do PS: os madeirenses merecem mais. No resto não, até porque Marta Freitas não reconheceu a incompetência do Governo de António Costa.