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Montenegro coloca transformação em oposição a agarrados ao passado e a interesses de momento

Foto Paulo Novais/Lusa
Foto Paulo Novais/Lusa

O presidente do PSD colocou hoje em oposição a vontade transformadora do seu Governo, defendendo que tem um caminho de modernização, mesmo com incompreensões, com uma oposição agarrada ao passado ou às conveniências de momento.

Este dualismo político foi traçado por Luís Montenegro no discurso com que encerrou o Congresso Nacional do PSD, em Anadia, distrito de Aveiro, durante o qual, perante a chefe da Casa Civil do Presidente da República, Cláudia Ribeiro, também acentuou a sua vontade de manter uma "colaboração estratégica e construtiva" com o chefe de Estado, António José Seguro.

Do ponto de vida político, o primeiro-ministro procurou demarcar-se tanto do PS, como do Chega.

"Escolhemos construir soluções e governar, porque governar significa olhar para além do momento mais mediático. Governar significa pensar nas consequências das decisões, a curto, a médio e a longo prazo", começou por dizer.

De acordo com Luís Montenegro, "o PSD nunca escolheu o imobilismo, nunca escolheu o cálculo cínico de esperar pelo melhor momento para agir. Escolheu sempre a responsabilidade da transformação - e essa continua a ser a nossa missão", sustentou.

A seguir, foi mais específico na linha de demarcação política que apresentou.

"Ao longo dos últimos meses, fomos confrontados com uma realidade política que todos conhecem:Sempre que surge uma reforma para responder aos desafios do futuro, logo aparecem forças políticas disponíveis para a travar. Por vezes até obstinadas em fazer com que tudo fique na mesma", declarou.

Algumas dessas forças políticas, de acordo com o líder do executivo, "continuam presas a modelos que pertencem ao passado e não têm futuro".

"Outras parecem preferir quase sempre a conveniência do momento à responsabilidade do longo prazo. Nós, no Governo, na AD, fizemos uma escolha diferente", sustentou.

Montenegro avisa que baixar idade das reformas hoje seria cortar pensões amanhã

O presidente do PSD pediu ainda aos portugueses que "não se deixem enganar" pelo Chega, sem referir o nome do partido, avisando que "baixar a idade das reformas hoje significa cortar pensões amanhã".

No discurso, Luís Montenegro reafirmou o compromisso expresso na sua primeira campanha eleitoral para as legislativas de que se demitiria caso tivesse de baixar as pensões.

"Este é mesmo um princípio e um valor inegociáveis: cuidar do bem estar de quem cá está, mas cuidar também dos vindouros é um principio que, do nosso ponto de vista, é inegociável", afirmou, numa referência à negociação da lei laboral que acabou chumbada com os votos da esquerda e do Chega.