Trump "muito otimista" sobre acordo com Teerão e pede moderação a Netanyahu
O Presidente norte-americano disse hoje estar "muito otimista" sobre um acordo com o Irão, nas negociações previstas para os próximos dias em Islamabad, e pediu ao primeiro-ministro israelita para usar moderação no Líbano.
Numa referência às autoridades iranianas, Donald Trump afirmou, numa entrevista por telefone à cadeia norte-americana NBC News, que "falam de forma muito diferente nas reuniões do que falam com a imprensa, são muito mais razoáveis".
Segundo Trump, os dirigentes de Teerão "estão a aceitar tudo o que têm de aceitar", porque "foram derrotados, já não forças armadas", ao fim de mais de um mês da ofensiva aérea desencadeada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica.
"Se não fizerem um acordo, vai ser muito doloroso", advertiu, antes das negociações de paz entre as delegações norte-americanas e iranianas, na capital paquistanesa, que estiveram ameaçadas por um violento ataque de Israel no Líbano na quarta-feira.
Dezenas de bombardeamentos em Beirute e no sul e leste do Líbano provocaram 303 mortos e 1.150 feridos, segundo o último balanço do Ministério da Saúde libanês, levando Teerão a repor temporariamente o bloqueio ao tráfego marítimo no estreito de Ormuz e a colocar em dúvida a deslocação dos seus negociadores a Islamabad.
A Casa Branca anunciou que a delegação dos Estados Unidos será liderada pelo vice-Presidente norte-americano, JD Vance, acompanhado pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro de Trump Jared Kushner, e indicou que as conversações devem ter início na manhã de sábado.
A parte iraniana deverá ser representada pelo presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.
A agenda negocial deverá ser dominada pelo programa nuclear iraniano e de produção de mísseis de longo alcance, bem como o futuro do estreito de Ormuz, onde passavam antes da guerra 20% do petróleo e gás natural do mundo, o apoio de Teerão a milícias na região, bem como mecanismos para evitar um novo conflito e as sanções internacionais contra a República Islâmica.
Apesar do que foi inicialmente indicado pela mediação paquistanesa, Israel e Estados Unidos sustentaram que o Líbano estava excluído da trégua de duas semanas acordada na terça-feira à noite para abrir espaço para as negociações, ao contrário do Irão que fez uma interpretação oposta.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, reiterou a condenação à "contínua agressão de Israel contra o Líbano" e avisou que os violentos ataques de quarta-feira ameaçam as negociações entre Washington e Teerão, após o executivo de Beirute lhe ter solicitado que inclua o conflito no seu país no diálogo em Islamabad.
Nas declarações à NBC, Trump confirmou que pediu moderação ao chefe do Governo israelita, Benjamin Netanyahu, na frente de guerra aberta no Líbano contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão.
"Falei com Bibi [Netanyahu] e ele vai ser mais moderado. Acho que precisamos de ser um pouco mais moderados", disse o líder da Casa Branca.
No seguimento da maior e mais sangrenta vaga de ataques no Líbano no último mês, o primeiro-ministro israelita anunciou já que Israel vai iniciar negociações diretas com o Governo libanês destinadas a desarmar o Hezbollah e estabelecer "relações pacíficas" entre os dois países.
"Considerando os repetidos apelos do Líbano para o início de negociações diretas com Israel, instruí ontem [quarta-feira] o executivo para as iniciar o mais rapidamente possível", afirmou Netanyahu numa nota divulgada pelo seu gabinete.
Netanyahu afirmou também que "Israel aprecia a decisão do primeiro-ministro do Líbano para a desmilitarização de Beirute", referindo-se à proibição já anunciada por Nawaf Salam do porte de arma por grupos não estatais na capital do país.
Em reação a estes desenvolvimentos, um deputado do Hezbollah reiterou a rejeição do grupo político e militar ao diálogo com Israel, enquanto uma fonte do Governo libanês citado pela agência de notícias France-Presse (AFP) indicou que Beirute pretende um cessar-fogo antes de iniciar o processo negocial.
O Hezbollah retomou os ataques contra território israelita em 02 de março, interrompendo um cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024 que nunca foi verdadeiramente respeitado.
No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do grupo xiita, que, apesar disso, nunca deixou de lançar projéteis e drones contra o território israelita.
Ao longo das últimas semanas, Israel desencadeou uma forte campanha de bombardeamentos no Líbano, a par da expansão das posições terrestres que já ocupava no sul do país no anterior conflito, provocando mais de 1.500 mortes e acima de um milhão de deslocados, de acordo com as autoridades de Beirute.