Secretário da Economia admite possibilidade de um orçamento rectificativo
"As circunstâncias são tão voláteis que não posso garantir que, até ao final do ano, não possa haver"
O secretário regional de Economia, José Manuel Rodrigues, assumiu, há instantes, que o impacto do conflito no Médio Oriente poderá obrigar o Governo Regional a apresentar um Orçamento Retificativo até ao final do ano, à margem da Cerimónia do 108.º Aniversário da Batalha de La-Liz e Dia do Combatente, no Funchal.
"As circunstâncias são tão voláteis que não posso garantir que, até ao final do ano, não possa haver um Orçamento Rectificativo", admitiu o governante em declarações aos jornalistas.
A incerteza gerada pela guerra no Médio Oriente está a ter reflexos directos na economia regional, levando o executivo madeirense a precaver cenários orçamentais extraordinários.
Para travar a escalada de preços, sobretudo no cabaz alimentar madeirense, o executivo vai avançar com novos apoios a várias empresas, desde logo aos sectores dos transitários e do transporte de mercadorias. José Manuel Rodrigues, ao jornalistas, afirmou que espera que as consequências da tensão sentida no Médio Oriente não se reflictam no quotidiano regional.
Cabaz alimentar atinge recorde de 257,95 euros
O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizado pela Deco PROteste, atingiu esta semana um novo recorde de 257,95 euros, mais 2,95 euros face à semana passada.
Como resposta a esta conjuntura, o governante prometeu a injecção de "um valor considerável" na economia regional, através de apoios directos a várias empresas que tinham ficado de fora da primeira fase de ajudas.
A medida tem como alvo prioritário os transitários e as empresas ligadas ao transporte de mercadorias. A efectivação destes apoios, que serão posteriormente operacionalizados pelo Instituto de Desenvolvimento Empresarial (IDE), aguarda apenas a aprovação oficial na próxima reunião do Conselho de Governo, na Quinta Vigia.
O principal foco desta intervenção pública passa por proteger o poder de compra das famílias madeirenses. O secretário regional explicou que o apoio aos custos com combustíveis suportados pelo tecido empresarial serve, primariamente, para evitar o contágio ao consumidor final.
"Estamos a apoiar as empresas, precisamente para mantê-las abertas, para manter o emprego e para que estes preços dos combustíveis que estão a ser custeados pelas empresas não se repercutam quando o cidadão for ao supermercado ou a outro sítio comprar um bem essencial", sublinhou, vincando o objectivo de travar a inflação no arquipélago.
Apesar da recente descida do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais, o Governo Regional opta pela cautela. José Manuel Rodrigues advertiu que "não é certo que esta trégua se venha a manter", perspectivando que os efeitos na economia real se farão sentir ainda durante algum tempo.
Por essa razão, as novas medidas de mitigação irão vigorar até ao final do mês de Junho, complementando o pacote de emergência anterior que já havia socorrido bombeiros, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), taxistas e empresas de transportes colectivos de passageiros.