Um Presidente Elanguescente
No plaino abandonado/ Que a morna brisa aquece,/ De balas traspassado/ — Duas, de lado a lado —,/Jaz morto, e arrefece. (…)
Tão jovem! que jovem era!/ (Agora que idade tem?)/ Filho único, a mãe lhe dera/ Um nome e o mantivera:/ «O menino da sua mãe»./ (…)
Lá longe, em casa, há a prece:/«Que volte cedo, e bem!»/ (Malhas que o Império tece!)/ Jaz morto, e apodrece,/ O menino da sua mãe. - A Poesia do Eu. Fernando Pessoa.
Quase como o “menino” de Pessoa, se não jaz morto, nem, ainda, apodrece, indubitavelmente enlasguece o menino Albuquerque. Deixou de liderar, de governar; foi atingido pelas balas traiçoeiras das incompetências que promoveu e da própria, desmesurada, ambição!
Por muito que queira fazer crer o contrário, está cada vez mais aprisionado na espiral de tudo o que não vai conseguir fazer: a Madeira está mais pobre, mais refém de interesses estrangeiros e de pequenos monopólios que, ao invés de contrariar, alimentou, incapaz de se afirmar, mesmo perante um governo da república da mesma cor, em assuntos básicos como a garantia da mobilidade a custos acessíveis.
Pouco falta para retomarmos o miserável estatuto de “ilhas adjacentes”! Mesmo com o foguetório das ilusões de êxito turístico, compradas com troféus assaz suspeitos, continuamos altamente dependentes do exterior e, sobretudo, com nula capacidade de afirmarmos quaisquer interesses ou direitos – veja-se, só para exemplificar, os recentes casos da exploração da Plataforma Continental, do POSEI e das Quotas de Pesca.
Albuquerque, sobrevoando as contrariedades e fazendo de conta que as reais dificuldades não existem, vai visitando empresas e obras públicas inócuas ou inacabadas, sempre alardeando sucessos que mais ninguém vê e futuros maravilhosos que só encontram paralelo no ápice do império estalinista, em que os amanhãs riam e o povo encontrava a plena felicidade.
Sabemos todos como acabou a URSS! Esperamos que a Madeira, erguida a pulso após consagrada a Autonomia, não vá pelo mesmo caminho!
P.S.: A medalha dos 50 Anos da Autonomia é, a todos os títulos, horrível. Ainda bem que não serei, seguramente, designado para recebê-la, porque, obediente ao velho preceito de que “as comendas não se pedem, não se rejeitam, nem se agradecem”, teria de relegá-la para o fundo da mais ignota gaveta.
João Cristiano Loja