Cessar-fogo "não marca o fim da campanha" contra Teerão
O primeiro-ministro israelita afirmou hoje que está pronto para "retomar o combate a qualquer momento" contra o Irão, defendendo que o cessar-fogo acordado entre Washington e Teerão "não marca o fim da campanha" militar.
"Ainda temos objetivos a alcançar e iremos alcançá-los, seja através de um acordo, seja retomando os combates", afirmou Benjamin Netanyahu num discurso transmitido pela televisão.
O cessar-fogo "não é o fim da campanha [mas sim] uma etapa no caminho que nos levará à concretização de todos os nossos objetivos", acrescentou.
O primeiro-ministro israelita disse ainda que o cessar-fogo foi decidido "em plena coordenação" entre Washington e Telavive, garantindo que não foi apanhado de surpresa pelo aliado norte-americano.
"Não, eles não nos apanharam de surpresa à última hora", acrescentou no mesmo discurso.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, considerou que "nada está acabado" apesar do cessar-fogo, em declarações a uma televisão israelita, argumentando que as posições entre os beligerantes americanos e iranianos estavam muito distantes.
"Não vejo como é possível aproximar as posições dos Estados Unidos e do Irão", acrescentou, num momento em que o Estado judaico realizou ataques em larga escala contra o Líbano provocaram pelo menos 254 mortos e 1.165 feridos.
Os bombardeamentos israelitas no Líbano desencadearam uma série de reações retaliatórias por parte do Irão, que anunciou o fecho do Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária, exército ideológico do Irão, ameaçou ripostar caso Israel não suspenda os ataques contra Beirute.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, disse entretanto que os Estados Unidos tinham duas opções: "Escolher entre o cessar-fogo ou continuar a guerra através de Israel".
"Não pode ter as duas coisas", afirmou, sublinhando que "os termos do cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos são claros".
"O mundo assiste ao massacre no Líbano. A bola está no campo dos Estados Unidos e o mundo está atento para ver se cumprirão os seus compromissos", insistiu.
O Paquistão, país mediador do conflito, tinha assegurado que o pacto alcançado para uma trégua de duas semanas era um "cessar-fogo imediato em toda a região, incluindo o Líbano e outros locais".
As agências iranianas difundiram hoje uma notícia do The Wall Street Journal que refere que Teerão informou os mediadores de que a sua participação nas conversações com os Estados Unidos organizadas por Islamabad na sexta-feira depende da inclusão de um cessar-fogo no Líbano.
Islamabad confirmou a presença do Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, para as conversações que irá acolher na sexta-feira e que deverão contar com o enviado especial dos Estados Unidos para o Médio Oriente, Steve Witkoff, e do genro do Presidente norte-americano, Donald Trump, Jared Kushner.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou hoje que a delegação norte-americana será liderada pelo vice-presidente, JD Vance, apesar de Donald Trump ter colocado em dúvida a presença do seu "número dois" numa entrevista telefónica com o jornal The New York Post.
O líder republicano disse que estavam em causa "questões de segurança" na ida de Vance até Islamabad, numa altura em que o vice-presidente esteve na Hungria para apoiar o primeiro-ministro ultranacionalista e candidato às eleições do próximo domingo, Viktor Orbán.