Rússia confirma morte de 16 soldados camaroneses
Os Camarões anunciaram hoje que a Rússia confirmou a morte de 16 soldados camaroneses na Ucrânia, de acordo com um memorando dirigido à Embaixada da Rússia neste país da África Central, noticia a agência norte-americana The Associated Press (AP).
No memorando dirigido à embaixada, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) da Rússia reconheceu a morte de 16 soldados camaroneses que serviam na zona de operações militares especiais na Ucrânia.
O MNE russo afirmou que foram tomadas as "medidas necessárias" para contactar as famílias dos soldados falecidos.
Numa outra comunicação oficial, enviada no mesmo dia, o MNE russo convidou as famílias de outros seis cidadãos camaroneses residentes na Rússia a comparecerem no ministério para tratar de "assuntos urgentes" que lhes dizem respeito.
Não foram fornecidas mais informações.
Em março do ano passado, o ministro da Defesa dos Camarões instruiu vários altos comandos militares do país a tomarem "medidas de emergência rigorosas" para impedir novas deserções por parte de soldados camaroneses no ativo ou reformados.
Um relatório dos serviços secretos apresentado no parlamento do Quénia no início deste ano revelou que 1.000 quenianos foram recrutados para combater pela Rússia após terem sido induzidos em erro com falsas promessas de emprego no país, antes de serem enviados para a linha da frente.
Dois nigerianos foram mortos no final do ano passado enquanto lutavam pelo lado da Rússia, anunciou este mês a agência de serviços secretos da Ucrânia.
Uma outra investigação da AP, realizada em 2024, revelou que mulheres africanas também foram enganadas para integrar o esforço de guerra russo e enviadas para trabalhar numa fábrica de montagem de drones de ataque destinados a serem utilizados contra a Ucrânia.
Foram atraídas por anúncios nas redes sociais que ofereciam programas de trabalho e estudo.
As autoridades ucranianas estimam que, desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, cerca de 1.780 africanos de 36 países possam ter sido recrutados para lutar pela Rússia.
Embora alguns participem de forma voluntária como mercenários, outros denunciaram enganos e coações que, segundo especialistas, poderiam constituir casos de tráfico de pessoas.
Kiev também informou que cidadãos de países como Somália, Serra Leoa, Togo, Cuba e Sri Lanka, entre outros, foram capturados, embora a maioria morra ou fique gravemente ferida antes de ser considerada como prisioneira de guerra.