Produção nacional cobre 80% do consumo de 'jet fuel' e Galp tem alternativas para o restante
A Galp, através da produção na refinaria de Sines, assegura aproximadamente 80% das necessidades de combustível para aviação ('jet fuel') dos aeroportos portugueses e tem plano alternativo para assegurar o restante abastecimento.
"No atual contexto geopolítico, o aprovisionamento privilegiará a importação de 'jet' com origem nos Estados Unidos, África Ocidental e Europa", disse à Lusa fonte oficial da petrolífera.
Em anos passados, as importações tiveram origem maioritariamente nas refinarias da Ásia (China, Coreia do Sul e Costa Ocidental da Índia) e do Médio Oriente.
"Para o corrente ano de 2026, estima-se a necessidade de quantidades com origem na importação concentradas no período entre maio e outubro", detalhou.
A petrolífera assegura ainda que, "no atual momento e contexto, não se antecipam disrupções no abastecimento nos próximos meses e estima-se que o consumo se encontre devidamente coberto pela produção nacional na refinaria de Sines, havendo níveis adequados de 'stock' e quantidades de jet de importação já devidamente contratadas".
A Galp explicou ainda que, em condições normais, a produção em Sines consegue abastecer a larga maioria das necessidades dos aeroportos, sendo o restante volume colmatado por importações, sobretudo para responder aos períodos de maior procura, como no verão, e também à incorporação obrigatória de combustível sustentável para aviação (SAF) no espaço europeu.
Por sua vez, a operação logística de armazenagem no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, é assegurada pela ANA - Aeroportos de Portugal "com recurso a uma reserva operacional alimentada de forma contínua pelos operadores e comercializadores através de transporte rodoviário de jet a partir do parque de combustíveis da CLC, em Aveiras".
Esta infraestrutura logística está ligada por pipeline à refinaria de Sines, que garante a produção de combustível para a aviação em contínuo e a capacidade de armazenagem.
Adicionalmente, como a Galp já tinha explicado, implementou desde o início de março um conjunto de medidas de mitigação destinadas a reforçar a resiliência do sistema, incluindo a monitorização diária do equilíbrio entre oferta e procura, acompanhamento da evolução geopolítica e da disponibilidade de produto no mercado internacional, antecipação da contratação de cargas, aumento dos níveis de inventário e diversificação das origens de abastecimento.
Esta semana, executivo comunitário reiterou que não existe uma escassez de combustível, nomeadamente para aviação, na UE, mas assegurou preparação para "possíveis ações" e lembrou a "capacidade significativa" para refinar petróleo bruto no espaço comunitário.
Antes, na passada quinta-feira, o diretor da Agência Internacional de Energia disse que a Europa tem "talvez mais seis semanas de combustível para aviões", alertando para possíveis cancelamentos de voos em breve se o abastecimento de petróleo continuar bloqueado.
No mesmo dia, a Associação das Companhias Aéreas em Portugal afirmou que, para já, não há impacto na operação, mas admite a possibilidade de cancelamentos de voos e preços mais altos se a crise energética persistir.
As leis da UE obrigam os Estados-membros a manter reservas estratégicas para 90 dias, tanto de petróleo como de gás.
No que diz respeito ao petróleo, cabe aos Estados-membros decidir que parte dessas reservas de 90 dias corresponde a petróleo bruto e que parte corresponde a produtos refinados, incluindo querosene e combustível de aviação.
Uma escalada do conflito que envolve Irão, Estados Unidos e Israel tem impactos diretos no setor dos transportes, nomeadamente marítimo, em qualquer perturbação no Estreito de Ormuz.
Na aviação, assiste-se a fecho ou a restrição do espaço aéreo, maior consumo de combustível e custos operacionais mais elevados.