Fim dos combustíveis fósseis em debate na Colômbia
A primeira conferência mundial sobre o tema decorre entre amanhã, 24 e a próxima quarta-feira, 29 de Abril
A primeira conferência mundial para o fim dos combustíveis fósseis, que junta mais de meia centena de países na Colômbia a partir de sexta-feira, vai aprovar ações que marcam o princípio do fim do petróleo.
De 24 a 29, na cidade de Santa Marta, a conferência acontece no meio de uma crise mundial ligada precisamente aos combustíveis fósseis, devido à guerra no Médio Oriente, mas foi agendada ainda no ano passado, no seguimento da última conferência da ONU sobre o ambiente que decorreu no Brasil, a COP30.
Em novembro de 2025 no final da reunião de Belém o documento final não contemplou qualquer referência ao fim dos combustíveis fósseis, supostamente por oposição de vários países, nomeadamente os árabes.
Ironicamente foi no Dubai, em 2023, que o texto final contemplou pela primeira vez uma referência ao afastamento gradual dos combustíveis fósseis, uma retórica que não teve seguimento no ano seguinte, no Azerbaijão, e que desapareceu definitivamente do documento final em 2025, no Brasil.
Por esse motivo a ministra do Ambiente da Colômbia, Irene Vélez, anunciou então a realização da reunião de Santa Marta, organizada em conjunto com os Países Baixos. "A COP30 não pode terminar sem um roteiro claro, justo e equitativo para abandonar os combustíveis fósseis no mundo", afirmou na altura, explicando que a conferência seria um momento para complementar as reuniões da ONU.
A primeira conferência internacional para a eliminação dos combustíveis fósseis deverá produzir "um relatório com ações concretas" para os países participantes adotarem, disse recentemente a vice-ministra do Planeamento Ambiental da Colômbia, Luz Dary Carmona.
Numa conferência de imprensa recordou que a dependência dos países em relação aos combustíveis fósseis varia entre os 75% e os 90%, pelo que é necessária "a transformação desta matriz energética" para superar essa dependência.
A responsável recordou que a conferência será organizada em torno de três pilares. O primeiro, a transformação da dependência dos combustíveis fósseis, é "fundamental", segundo Luz Dary Carmona, porque exige o estabelecimento de "novas formas de soberania energética".
O segundo e o terceiro pilares centrar-se-ão na transformação da oferta e da procura e nas relações e cooperação multilaterais.
Segundo a página oficial da iniciativa serão temas do primeiro pilar a dependência fiscal e a dívida pública, a reconversão produtiva e as responsabilidades partilhadas.
No segundo pilar serão temas por exemplo a eliminação progressiva do que motiva a procura da energia, ou a redução progressiva da extração de combustíveis fósseis.
A conferência junta figuras políticas de alto nível para discutir como realizar uma transição energética "justa, ordenada e equitativa". Portugal está presente, mas não representado pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.
Entre os 53 países que confirmaram a presença estão alguns produtores de combustíveis fósseis, carvão, petróleo ou gás, como o Canadá, Brasil ou Austrália, além da União Europeia e países como a França, Alemanha, Espanha ou Reino Unido.
Mais de 2.600 organizações manifestaram a intenção de participar. A organização indica que além de responsáveis políticos estarão em Santa Marta representantes das academias, do setor privado, das comunidades, como povos indígenas, mulheres e jovens ou movimentos sociais e organizações não-governamentais.
A organização ambientalista mundial WWF diz a propósito que o clima da Terra está mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história já documentado e que os principais responsáveis são o carvão, o petróleo e o gás.
O Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, é um dos principais defensores da transição energética.
"A energia limpa significa mais paz e democracia, porque pode ser gerada em qualquer casa do mundo. Os combustíveis fósseis só trazem guerras e a destruição da democracia", disse na semana passada a uma rádio colombiana.