A Indústria que criou grandes artistas!

O povo madeirense é formado por pessoas de variadíssimas artes, sendo a indústria do bordado uma das que mais usou os/as grandes artesãos/ãs.

Para que houvesse uma peça de bordado à mão, era necessário o tecido, o desenhador, o picotador, o contador, a estampadeira, a bordadeira, a verificadeira, a lavadeira, a engomadeira e o embalador, para fazer as embalagens a serem exportadas para Inglaterra, Alemanha, América do Norte e para Portugal continental.

As casas de Bordados Madeira, que eram muitas, mas das quais ainda me lembro, e onde fiz muitos trabalhos de tipógrafa, foram: Nóbrega & Irmãos, Lda.; Arte Fina; Luís de Sousa, Lda.; Gouveia & Alves, Lda.; Casa Farra, Lda.; Leacock & C.ª, Lda.; Casa Imperial, Lda.; Casa Americana; David Andrade & Menezes, Lda.; J. Nepomoceno, Lda.; e outras de pequena dimensão.

Só a Casa de Bordados Leacock dava trabalho, só no seu edifício, a mais de duzentos trabalhadores/ras.

Presentemente, está em exposição na Quinta Magnólia - Centro Cultural uma exposição com belas peças de bordados, de diferentes espécies, e muitas fotografias das mulheres bordadeiras, a bordarem no meio onde viviam. É uma excelente exposição!

No DN de 13 de Abril, página 4, em Educação, com o título: “Escola Azul e Louros apadrinham Marina do Funchal”, estando 2 fotos com jovens de camisolas com impressão em serigrafia a cores, estando em destaque, em letras maiúsculas, no princípio: “Alunos vão limpar e sensibilizar para o problema das beatas e o impacto no mar”, estando no último parágrafo da 2.ª coluna o seguinte: “É assustador. Chega a ser assustador”, confessa. “Comecemos a pensar: é uma zona onde muita gente pára, fuma, e deita o cigarro para o chão. Vamos fazer algo que realmente sensibilize as pessoas. No mar há vida e uma maneira de preservar realmente é terem cuidado com aquilo que fazem”.

É muito importante que a juventude dos nossos dias tome conhecimento sobre os maus efeitos na saúde, pelo facto de os cigarros fumados pelos seus consumidores serem causadores de muitas doenças, devido aos seus compostos químicos, sendo responsáveis por doenças cancerígenas.

Na página 5 do mesmo DN, em Habitação, com o título: “Sobrelotação de casas quase triplicou desde a pandemia”, estando na 3.ª coluna, com letras maiúsculas, o seguinte: “Aumento de pessoas a viver ‘apertadas’ passou de 21 mil para 61 mil em 5 anos”, estando nas últimas 13 linhas o seguinte: “Chegados a 2026, a crise de habitação na Madeira já não é apenas uma questão económica, mas de coesão social. Ter pelo menos 61 mil pessoas — quase um quarto da população residente — a viver sem espaço adequado é um rastilho para problemas de saúde mental e conflitos sociais. O alívio estatístico na carteira é uma miragem que esconde casas cada vez mais limitadas”.

É muito grave, presentemente, a situação do povo trabalhador da nossa terra, de seu nome Arquipélago da Madeira, pelo facto de as pessoas trabalhadoras não usufruírem de ordenados ou vencimentos suficientes para poderem pagar os altos arrendamentos para a sua habitação residencial.

São muitos os madeirenses que estão a ser desalojados das suas residências, pelo facto de os seus ordenados ou vencimentos não serem suficientes para pagarem as rendas altíssimas, passando as habitações, que eram para os nativos viverem, para os AL, isto é, de arrendamento periódico, causando grandes problemas de habitação para os cidadãos madeirenses.

Não deveria ser permitido que residências que foram construídas para arrendamento aos nativos estejam hoje em Alojamento Local, em mistura com as residências dos madeirenses, colocando-os num estado de insegurança.

José Fagundes