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Duas curtas-metragens portuguesas competem no Festival de Cannes

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Foto Shutterstock

O filme "Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio", de Daniel Soares, vai fazer a sua estreia mundial no Festival de Cannes, em França, e "Onde Nascem os Pirilampos", de Clara Vieira, estará na secção La Cinef.

Segundo comunicado divulgado ontem pela organização do festival francês, os 10 filmes da competição de curtas-metragens foram escolhidos a partir de 3.184 concorrentes, de 136 países.

"Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio", com produção das portuguesas O Som e a Fúria e Kid With a Bike com a francesa L'Oeil Vif Productions, marca o regresso de Daniel Soares a Cannes, onde recebeu uma menção honrosa em 2024 com "Bad for a Moment", como recorda um comunicado da Agência da Curta-metragem.

"O filme parte de uma imagem inquietante --- um grupo de adolescentes flutua rio abaixo, fingindo estar morto para as redes sociais, onde um deles vai à deriva. A obra inscreve-se na linha temática que tem caracterizado o cinema de Daniel Soares, marcado por uma abordagem sensível e crítica às dinâmicas da sociedade contemporânea", acrescenta o mesmo texto.

Já a secção La Cinef, destinada a filmes de escolas de cinema, é composta por 19 curtas-metragens - cinco das quais de animação - escolhidas de 2.750 candidatas.

Segundo comunicado da Portugal Film, "Onde Nascem os Pirilampos", de Clara Vieira, da Escola Superior de Teatro e Cinema, nasce "da dificuldade de [uma pessoa se] definir quando o futuro se apresenta incerto".

"A incapacidade de dois adolescentes assumirem a sua relação amorosa cruza-se com uma consciência ambiental que já não pode ser ignorada. O filme articula autoconhecimento, espiritualidade, ansiedade climática e descoberta do desejo através de uma presença mística numa floresta de magia 'man-made'", refere o mesmo comunicado sobre o filme que fará a estreia internacional em Cannes, depois da estreia absoluta no Indielisboa.

O Festival de Cinema de Cannes vai contar, este ano, com filmes de realizadores como Pedro Almodóvar, Asghar Farhadi e Agnes Jaoui, numa edição que se afirma em defesa do cinema perante a ameaça da Inteligência Artificial.

"A Inteligência Artificial já está presente nos estúdios, nas salas de montagem, no processo criativo. Não vamos fechar os olhos a isso, mas recusamos que dite as regras. A Inteligência Artificial sabe muito bem imitar, mas nunca saberá como sentir", sublinhou a presidente do festival, Iris Knobloch, na conferência de imprensa de apresentação da 79.ª edição, no começo de abril.

Este ano, o festival decorrerá de 12 a 23 de maio e a competição oficial terá, entre outros, "Amarga Navidad", do realizador espanhol Pedro Almodóvar, "Parallel Tales", filme do cineasta iraniano Asghar Farhadi rodado em França, "Sheep in the box", do japonês Hirokazu Kore-eda, "The man I love", do norte-americano Ira Sachs, e "Minotaur", do russo Andrey Zvyagintsev.

A Palma de Ouro de carreira será atribuída à atriz e cantora norte-americana Barbra Streisand e ao realizador neozelandês Peter Jackson.

O realizador sul-coreano Park Chan-wook vai presidir o júri da seleção oficial.