Havana denuncia "escalada de ameaças" de EUA e intenção de "agressão militar"
O Governo cubano denunciou hoje que a ilha se encontra "sob o cerco permanente do Governo dos Estados Unidos" e da sua "escalada de ameaças", que incluem "intenções de agressão militar".
"Cuba vive sob o cerco permanente do Governo dos Estados Unidos, cuja escalada de ameaças se intensificou nos últimos meses", afirmou o executivo da ilha caribenha, num comunicado divulgado pelos meios de comunicação oficiais, no 65.º aniversário da fracassada invasão da Baía dos Porcos, apoiada pelos Estados Unidos (EUA), para derrubar o regime de Fidel Castro, em 1961.
O Governo liderado pelo Presidente Miguel Díaz-Canel apontou também que, ao bloqueio energético imposto por Washington desde janeiro, "se somam declarações de membros da elite governamental norte-americana sobre intenções de agressão militar".
Os Estados Unidos "estão a acossar e a exercer uma pressão constante" sobre outros Governos para que cortem relações diplomáticas com Cuba e "abandonem os seus próprios povos, expulsando profissionais de saúde" pertencentes a missões médicas cubanas, acusou.
"Isolar-nos também faz parte da sua estratégia; no entanto, existem no mundo pilares de dignidade, povos e Governos que não cedem. Os exemplos incluem o México, a Rússia, a China, o Vietname e outros países irmãos", sustentou Havana.
"Cuba nunca será um troféu, nem mais uma estrela da constelação norte-americana", vincou.
O comunicado inclui também parte do discurso proferido na quinta-feira por Díaz-Canel, na cerimónia para celebrar o 65.º aniversário da declaração do caráter socialista da Revolução Cubana.
O chefe de Estado cubano declarou na quinta-feira que "a agressão militar" dos Estados Unidos a Cuba é uma possibilidade real e apelou aos cubanos para "estarem preparados" para a repelir.
"Não a queremos (a guerra), mas é nosso dever prepararmo-nos para evitá-la e, se for inevitável, vencê-la", defendeu.
No seu discurso, considerou que a vitória da Baía dos Porcos, em abril de 1961, "é hoje e será sempre" e reiterou o "caráter socialista" da revolução como "garantia de futuro" para Cuba, ideias também incluídas na declaração oficial do dia.
O jornal norte-americano USA Today noticiou na quinta-feira que o Pentágono está a intensificar os seus planos de intervenção militar em Cuba, enquanto aguarda ordens diretas do Presidente norte-americano, Donald Trump, para agir.
Questionado a propósito pela agência noticiosa espanhola EFE, o Departamento de Defesa norte-americano respondeu que não especularia sobre "cenários hipotéticos" e que as Forças Armadas antecipam diversas contingências e "se mantêm preparadas para executar as ordens do Presidente".
Donald Trump disse, no início desta semana, que pensa que o seu Governo poderá concentrar a sua atenção em Cuba assim que resolver a guerra contra o Irão.