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Havana alerta para ameaça militar dos EUA e é acusada de intensificar perseguição política

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O Presidente cubano alertou hoje para o momento "absolutamente desafiante" que a ilha atravessa face às pressões de Washington que incluem a ameaça de "agressão militar" ao regime que enfrenta acusações reiteradas de perseguição política.

Miguel Díaz-Canel exortou os cubanos a "estarem prontos" para combater uma invasão e a prepararem-se para a guerra, um dia depois do jornal norte-americano USA Today ter noticiado que o Pentágono estaria a intensificar os seus planos de intervenção militar em Cuba, à espera de ordens diretas do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para agir.

"Não a queremos, mas é nosso dever prepararmo-nos para a evitar e, se for inevitável, para a vencer", afirmou o líder cubano.

Ao mesmo tempo que Havana se mentaliza para a possibilidade de um conflito, enfrenta denúncias por parte da organização não-governamental (ONG) Observatório Cubano dos Direitos Humanos (OCDH), que acusa o regime de uma "perseguição implacável" e de um aumento dos maus-tratos contra presos políticos na ilha.

"Em março, e no que vai de abril, familiares de presos políticos têm prestado testemunho sobre o aumento dos maus-tratos nas prisões, com transferências para celas de castigo, retirada de alimentos e pertences, ameaças e colocação de presos comuns nas suas celas para que agridam os presos políticos", indicou o OCDH.

O Observatório condenou o perdão anunciado a 12 de março, "que apenas beneficiou reclusos comuns", e denunciou que "nas prisões da ilha está a ocorrer uma ofensiva violenta contra os prisioneiros de consciência".

Tudo isto enquanto "não se ouve uma única palavra de condenação por parte da União Europeia e da América Latina", continuou a ONG.

Esta ONG informou em março que um total de 21 presos por motivos políticos tinham sido libertados pelo Governo cubano desde o processo acordado com o Vaticano, que prevê a saída da prisão de 51 reclusos.

Díaz-Canel tinha afirmado que as libertações "não beneficiaram nenhum detido por motivos políticos".

Face às acusações de Washington de o país estar à beira do colapso, Díaz-Canel salientou que a ilha é "um Estado ameaçado que não se rende, que resiste, que cria", face àqueles que afirmam que é um "Estado falhado".

Cuba é "um Estado, não tenham dúvidas, que vencerá", acrescentou Díaz-Canel.

O Presidente cubano denunciou "a agressão multidimensional" de Washington contra a ilha e recordou especialmente a invasão frustrada por parte de exilados cubanos (mas com apoio norte-americano) na Baía dos Porcos, em 1961, de que se completam 65 anos nesta sexta-feira.

No entanto, grande parte do seu discurso centrou-se nas sanções norte-americanas, um conjunto de medidas com mais de seis décadas que têm um impacto económico significativo no país.

Díaz-Canel falou do "caráter genocida e multidimensional do bloqueio", termo utilizado pelo Governo cubano para designar as sanções, que classificou como a "principal causa" da profunda crise em que a ilha se encontra mergulhada há mais de seis anos.

"Ninguém poderá negar a sua culpa absoluta pelo sofrimento das famílias cubanas", afirmou.

Especialistas e economistas independentes apontam que a situação atual em Cuba se explica pela combinação das sanções com uma série de políticas económicas falhadas, e classificam a crise como estrutural e sistémica.

O produto interno bruto (PIB) contraiu-se mais de 15% entre 2020 e 2025.

O bloqueio petrolífero que os Estados Unidos impuseram à ilha desde janeiro agravou esta situação, paralisando quase por completo a atividade económica, especialmente a estatal, e os serviços públicos, incluindo hospitais.

Washington está a pressionar a ilha para que inicie uma série de reformas económicas e políticas, e ambas as partes reconheceram a existência de contactos bilaterais, mas até ao momento não se registaram avanços nem resultados concretos.

Trump indicou esta semana que possivelmente se ocuparia de Cuba assim que a guerra com o Irão terminasse.