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Madeira

Diocese do Funchal alerta para não se confundir culto a Iemanjá com a Nossa Senhora

Igreja Católica pede respeito, mas cuidado "perante outras tradições" em carta aberta aos católicos, após evento relatado na praia do Porto Santo

Foto Shutterstock
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"O cuidado a ter perante outras tradições. Carta aberta aos católicos." Assim começa um texto publicado há pouco na página de facebook da Diocese do Funchal, que alerta aos crentes para não confundirem o culto a Iemanjá, que "faz parte das tradições religiosas afro-brasileiras" com a Nossa Senhora, "a Virgem Maria, Mãe de Deus", após um evento de culto à primeira ocorrido na praia do Porto Santo.

Começando com "saudações pascais para todos: Cristo Ressuscitou! Aleluia!", a nota da autoridade católica na Madeira conta que "recentemente, na praia do Porto Santo, uma multidão de pessoas vestidas de branco transportava um andor com uma imagem", semelhante á que está na foto, embora a imagem partilhada pela Diocese seja outra, como reportamos em baixo.

"Não era uma imagem de Nossa Senhora, mas de uma figura feminina vestida de azul, conhecida como Iemanjá", esclarece. "Acompanhando o andor, muitas pessoas dirigiram-se ao mar, lançando flores e pétalas, num ambiente que lembrava uma celebração festiva. Pediam sorte e sucesso. Pediam proteção contra más energias", relata ainda.

Assim, "perante estas situações, é importante que nós, católicos, saibamos compreender com respeito e clareza o significado destes gestos", frisando que "Iemanjá faz parte das tradições religiosas afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda, sendo considerada uma divindade ligada ao mar, à maternidade e à proteção. Para os seus devotos, é uma figura espiritual relevante, digna de honra e culto", realça.

No entanto, acrescenta a Diocese, "a fé católica ensina-nos que a adoração é devida unicamente a Deus — Pai, Filho e Espírito Santo. Este é um ponto essencial da nossa fé. Assim, embora possamos respeitar outros credos, não podemos prestar culto ou devoção a Iemanjá como se fosse equivalente ao Deus revelado em Jesus Cristo", adverte.

Recorda que "ao longo da história, especialmente no contexto brasileiro, desenvolveu-se o fenómeno do sincretismo religioso, no qual Iemanjá foi associada a Nossa Senhora. Do ponto de vista da doutrina católica, é fundamental afirmar com clareza: não se trata da mesma realidade espiritual. Não podemos, portanto, confundir Iemanjá com a Virgem Maria, Mãe de Deus", afiança.

Neste esclarecimento, diz ainda que "o sincretismo, entendido como a mistura indiscriminada de crenças, pode levar à ideia errada de que 'tudo é igual' ou que 'todas as práticas conduzem ao mesmo fim'", mas reforça que "a fé católica chama-nos ao discernimento. Nem tudo pode ser assumido como compatível com o Evangelho".

Diz, por isso, que "somos convidados a viver a nossa fé com fidelidade, evitando práticas que possam gerar confusão espiritual ou relativizar a centralidade de Deus. Isto não implica desrespeito por outras religiões ou tradições, mas exige coerência e firmeza naquilo que professamos", aconselha.

E termina, reforçando a advertência, para "o cuidado essencial é este: respeitar todas as pessoas e as suas crenças, mas guardar o coração, a fé e a adoração exclusivamente para Deus. Evitemos qualquer forma de sincretismo que comprometa a integridade da fé cristã. Adoramos a Deus. Veneramos a Virgem Maria e os Santos. Mas não participamos em práticas religiosas que sejam incompatíveis com a fé que professamos", conclui a Diocese do Funchal.