Com a guerra no Irão negociadores norte-americanos "não têm tempo" para Kiev
Os negociadores norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner "estão constantemente em negociações com o Irão e não têm tempo para a Ucrânia", que está preocupada com o seu fornecimento de armas, lamentou hoje o Presidente ucraniano.
Devido à guerra no Irão, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel, a questão do fornecimento de armas norte-americanas a Kiev tornou-se "um grande problema", disse Volodymyr Zelensky à emissora televisiva pública ZDF, após uma visita a Berlim.
"Se a guerra continuar, haverá menos armas para a Ucrânia. Isto é crítico, especialmente em termos de defesa aérea", explicou o chefe de Estado ucraniano, acrescentando que isso o fornecimento de mísseis 'Patriot', muito utilizados no Médio Oriente, e cuja escassez na Ucrânia "não podia ser pior" do que está agora.
Quanto aos dois enviados norte-americanos, que descreveu como "pessoas pragmáticas", Zelensky disse que estão "a tentar chamar mais a atenção de Putin para pôr fim à guerra" que já dura há mais de quatro anos.
Contudo, salientou, "se os Estados Unidos não pressionarem Putin [...] e apenas dialogarem pacificamente com os russos, então eles não terão mais medo".
Volodymyr Zelensky estabeleceu hoje uma parceria estratégica com o chanceler alemão, Friedrich Merz, baseada na cooperação militar, particularmente em 'drones'.
Como maior financiador de Kiev desde 2025, Berlim quer desempenhar um papel central no processo diplomático, enquanto Donald Trump, focado no Médio Oriente, impôs negociações sem a participação dos europeus e parece determinado a ceder território ucraniano à Rússia.
A Alemanha financiará, principalmente, a entrega à Ucrânia de centenas de mísseis 'Patriot' e lançadores para os sistemas de defesa aérea Iris-T.
Zelensky anunciou ainda que os dois países estão a trabalhar num "acordo bilateral sobre 'drones'".
A invasão militar russa do território ucraniano, lançada em 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).