DNOTICIAS.PT
Guerra no Irão Mundo

Aoun espera que conversações com Israel marquem "princípio do fim" de sofrimento libanês

None

O Presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou hoje esperar que as negociações com Israel em Washington representem "o princípio do fim do sofrimento dos libaneses", após várias semanas de guerra entre Israel e o movimento xiita libanês Hezbollah.

"Espero que a reunião em Washington (...) seja o princípio do fim do sofrimento dos libaneses, em geral, e dos habitantes do sul, em particular", declarou o chefe de Estado libanês num comunicado, pouco antes de começarem as primeiras conversações diretas entre Israel e o Líbano desde o início da guerra, a 02 de março.

"A estabilidade não será restaurada no sul do Líbano se Israel ali continuar a ocupar território", alertou, acrescentando: "A única solução é que o Exército libanês se reposicione nas fronteiras reconhecidas pela comunidade internacional e seja o único responsável pela segurança da zona e dos seus habitantes, sem parcerias com ninguém".

O chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, classificou hoje as conversações como "uma oportunidade histórica", ao receber os embaixadores dos dois países no Departamento de Estado.

"Trata-se de pôr um fim definitivo a 20 ou 30 anos de influência do Hezbollah nesta parte do mundo - isto vai além de um único dia, levará tempo", sustentou.

"Queremos alcançar a paz e a normalização das relações com o Estado libanês", tinha anteriormente afirmado o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar.

"Não há grandes disputas entre Israel e o Líbano. O problema é o Hezbollah", sublinhou.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tinha estabelecido duas condições: o desarmamento da organização xiita e que se alcance um "acordo de paz genuíno", dado que os dois países estão tecnicamente em guerra há décadas.

A 02 de março, o Líbano foi arrastado para o conflito regional desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, quando o Hezbollah, aliado de Teerão, efetuou um ataque com morteiros a Israel, que desde então tem bombardeado intensamente o sul do país, primeiro com ataques aéreos e depois com operações terrestres com artilharia e blindados.

Apesar do cessar-fogo de duas semanas acordado a 07 de abril entre os Estados Unidos e o Irão, que, em princípio, devia aplicar-se a ambas as partes no conflito e respetivos aliados, Netanyahu declarou que este não abrangia o Líbano e o seu Exército lançou horas depois a maior vaga de ataques aéreos sobre o país desde o início da guerra.

Em apenas dez minutos, bombardeou 100 alvos em território libanês, fazendo pelo menos 254 mortos e 1.165 feridos, segundo a Defesa Civil libanesa.

Este número vem somar-se aos mais de 1.500 mortos e milhares de feridos no Líbano registados desde 02 de março, e a mais de um milhão de civis deslocados no país, na sequência de ordens de evacuação do sul do território emitidas pelo Exército israelita.

"Isso representa um quinto da população libanesa", alertou o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Barham Saleh, em visita a Beirute, sublinhando "a necessidade de mobilizar apoio internacional".

Do lado israelita, o Exército comunicou um total de 13 soldados mortos no Líbano, acrescentando que dez ficaram hoje feridos em combates na cidade de Bint Jbeil, no sul do país, onde lançou um ataque.

Um cessar-fogo anterior tinha sido decretado em novembro de 2024, mas Israel continuou a bombardear as zonas fronteiriças.

"Será muito difícil chegar a um acordo, e Israel vai criar uma zona tampão no norte, muito semelhante à que temos na Faixa de Gaza", indicou um antigo responsável da defesa israelita que solicitou o anonimato.