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Madeira

Celso garante que integração “não se baseia no rosto nem na cor da pele”

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Foto Rui Silva/ASPRESS

“A nossa política jamais se baseará no rosto ou na cor de pele.” Foi com esta posição que o presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos marcou a abertura do II Fórum Mobilidade Global, Integração e Diversidade Cultural, no Museu de Imprensa da Madeira.

No arranque da intervenção, o autarca enquadrou o tema nos princípios internacionais, lembrando que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”, como consagra a Declaração Universal dos Direitos Humanos. “Não é uma afirmação qualquer. É uma linha traçada depois do pior que a desumanização produziu”, afirmou.

A partir daí, deixou críticas ao estado do debate público: “Assistimos a discursos que simplificam problemas complexos e a conteúdos que expõem e desrespeitam pessoas”, disse, acrescentando que, em alguns casos, “se roça a desumanização e se fomenta o ódio”.

O presidente da autarquia rejeitou posições extremadas, defendendo que a integração “não se faz com ingenuidade nem com rejeição”, mas sim com políticas estruturadas. “O erro não está apenas em quem rejeita. Está também em quem fala de integração sem garantir os meios para que ela aconteça”, sublinhou.

Transportando o tema para o concelho, afirmou que Câmara de Lobos “sempre foi um lugar de partida, mas também de chegada”, destacando a baía como “porta aberta”, mas não “sem critério”. “É uma porta com regras, com organização e com capacidade de integrar quem entra”, frisou.

Entre os exemplos, destacou a realidade das escolas, onde já coexistem várias nacionalidades. “Há salas de aula onde crianças de diferentes origens crescem e aprendem juntas”, referiu, apontando para a necessidade de respostas adequadas ao nível educativo e social.

No plano municipal, destacou o reforço do apoio às famílias, o acompanhamento social de proximidade, o trabalho na área da habitação em articulação com entidades regionais e o apoio às associações. “Não há integração possível quando falta o essencial”, afirmou Celso Bettencourt. Ainda assim, reconheceu dificuldades, nomeadamente na habitação e na resposta social. “Negar isto seria um erro”, disse, alertando que a ausência de respostas eficazes abre espaço à desconfiança e a “discursos que dividem e incendeiam”.

Na parte final, evocou a ideia de que a hospitalidade exige equilíbrio entre direitos e deveres, deixando uma mensagem: “A dignidade da pessoa humana não é negociável, mas depende das decisões que tomamos. Uma terra só se afirma quando é capaz de integrar sem perder o rumo”, concluiu.