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Empresários açorianos alertam para insolvências em manifesto pelo turismo e economia

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Um total de 139 empresários açorianos divulgaram hoje o "Manifesto pelo Turismo e pela Economia dos Açores" onde alertam que o ano de 2026 "está perdido" e, caso não haja uma alteração de paradigma, ocorrerão "insolvências generalizadas".

No documento enviado à agência Lusa e subscrito por empresários e gestores do setor do turismo das nove ilhas açorianas, é denunciada a "paralisia estratégica e a grave falta de liquidez governamental que ameaçam a sustentabilidade da região".

"O setor do turismo atingiu o seu 'Dia Zero' com a saída definitiva da [companhia aérea de baixo custo] Ryanair a 29 de março. O que se segue não é apenas uma crise setorial, mas um risco real de insolvências generalizadas com consequências transversais a todos os setores já a partir do final de 2026", lê-se no texto.

No "Manifesto pelo Turismo e pela Economia dos Açores" é referido que, em relação ao futuro do setor turístico, "o ano de 2026 está perdido".

"Se não houver uma mudança imediata, enfrentaremos consequências irreversíveis já no fim de 2026 com insolvências generalizadas, suspensão de investimentos, aumento do desemprego e do colapso da receita fiscal", apontam os empresários e gestores, salientando que a crise "é transversal e asfixia todos os setores que dependem diretamente ou indiretamente da dinâmica e do fluxo do turismo", que representa 20% do Produto Interno Bruto (PIB) regional.

Os subscritores indicam que os Açores "acumulam mais de sete meses consecutivos de quebras de passageiros" desembarcados, ao contrário de Portugal continental e da Madeira, e o cenário é o resultado de decisões políticas "que ignoraram alertas claros do setor desde outubro de 2025".

A saída da Ryanair da região, referem, "não é apenas uma perda de conectividade, é a destruição sistemática de 400.000 lugares anuais". "Para o Verão IATA [sigla em inglês da Associação Internacional de Transporte Aéreo] 2026, a realidade é uma quebra de 8,1% nos lugares e uma perda de 18,2% nas rotas face a 2025. Sem concorrência aérea os Açores tornaram-se o destino mais caro de Portugal, isolando o arquipélago do mercado nacional e europeu", lê-se.

No manifesto, os empresários propõem uma "reestruturação profunda" da Visit Azores (entidade responsável pela promoção turística no arquipélago) devolvendo a gestão técnica aos profissionais e "retirando-lhe a tutela política direta".

"É urgente recuperar novos mercados emissores e novas rotas imediatamente através da criação de um Fundo específico para esse fim", defendem, acrescentando que "a discrepância entre a narrativa oficial e a realidade dos números quebra o compromisso de confiança essencial entre o Governo [Regional] e os investidores e empresários da região".

Quem governa, salientam, "deve apresentar soluções ou assumir as consequências da sua gestão".

"A propaganda de que 'está tudo bem' não paga salários, não paga impostos e não amortiza dívidas bancárias", referem.

Os subscritores do documento exigem "soluções imediatas e o apuramento de responsabilidades políticas face ao esgotamento estratégico demonstrado".