Governo israelita anuncia mais de 300 mil ilicenças de porte de arma
Mais de 300.000 cidadãos de Jerusalém são elegíveis para pedir uma licença de porte de arma, anunciou hoje o Governo israelita, depois de ter autorizado o alargamento desta medida a 41 bairros da cidade.
"Os novos bairros juntam-se a outros bairros em Jerusalém e a dezenas de localidades em todo o país que já foram designadas como zonas elegíveis ao abrigo da reforma das armas", escreveu o ministro da Segurança Nacional israelita (extrema-direita), Itamar Ben Gvir, numa rede social.
Entre esses bairros está Rehavia, o mais exclusivo da cidade e onde fica a residência do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, mas também os bairros do mercado Mahane Yehuda, Talpiot, Baka, ou o bairro histórico da colónia alemã, Emek Refaim.
"Esta é uma continuação da política que tenho liderado desde que assumi o cargo para reforçar a segurança pessoal dos cidadãos israelitas. Desde a expansão da reforma das armas, mais de 240.000 cidadãos já receberam uma licença de porte de arma pessoal, um número sem precedentes", acrescentou.
"A minha política é clara: as armas nas mãos certas salvam vidas", sublinhou.
Esta medida surgiu num momento em que a violência de colonos israelitas tem aumentado na Cisjordânia.
No domingo, três palestinianos foram mortos por colonos israelitas num ataque com armas de fogo em Abu Falah, uma aldeia na Cisjordânia ocupada, de acordo com a Autoridade Palestiniana e o exército israelita.
O ataque causou também sete feridos, afirmou o Ministério da Saúde palestiniano.
Em pouco mais de cinco meses, depois do ataque do movimento islamita palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023, foram aprovadas 100.000 novas licenças de porte de arma em Israel, indicou o gabinete do Ministério da Segurança Nacional, com o total a ultrapassar já as 240.000.
Antes da reforma, apenas os veteranos que tivessem servido em unidades de infantaria podiam obter mais facilmente uma licença de porte de arma, designadamente pistolas de baixo calibre.
A violência na Cisjordânia, território palestiniano ocupado por Israel desde 1967, aumentou drasticamente desde o ataque de 07 de outubro, do Hamas em território israelita, e da resposta militar de Israel na Faixa de Gaza.
Uma contagem da agência de notícias France-Presse, baseada em dados do Ministério da Saúde palestiniano, apontou que pelo menos 1.043 palestinianos foram mortos por soldados ou colonos israelitas na Cisjordânia desde o início da guerra em Gaza.
Desde a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, os ataques de colonos israelitas na Cisjordânia têm-se intensificado, registando-se mais de 50 incursões e pelo menos seis palestinianos mortos.