Exército israelita ameaça atacar Hezbollah até que se desarme
O comandante do exército israelita ameaçou hoje que vai continuar os ataques no Líbano contra o Hezbollah até que o grupo xiita apoiado pelo Irão seja desarmado, em plena escalada de violência entre as partes.
"O Hezbollah cometeu um grave erro", afirmou Eyal Zamir, em comunicado, referindo-se aos ataques lançados pelos combatentes xiitas libaneses contra Israel, em resposta aos bombardeamentos das forças norte-americanos e israelitas desde sábado no Irão e à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Vários projéteis voltaram a ser disparados hoje do Líbano em direção a Israel, segundo os militares israelitas, acrescentando que a maioria foi intercetada e um caiu numa área aberta.
"Estávamos preparados para esta eventualidade e estamos agora a responder com uma força considerável. Estamos determinados a eliminar a ameaça representada pelo Hezbollah e não cessaremos até que esta organização seja desarmada", avisou Eyal Zamir.
As forças israelitas intensificaram os seus ataques aéreos no sul do Líbano, Vale de Bekaa e arredores de Beirute nos últimos dias, apesar de um cessar-fogo acordado com o Hezbollah em novembro de 2024, e hoje expandiram as posições terrestres que já ocupavam no sul do país, alegando a intenção de apenas criar um perímetro de segurança.
As autoridades libanesas reduziram hoje o número de mortos na ofensiva aérea israelita para 40, após terem registado anteriormente 52, enquanto o de feridos subiu para 246.
A nova escalada de violência provocou também mais de 58 mil deslocados, de acordo com as autoridades de Beirute, que estão abrigados em 321 centros educativos, dos quais apenas 52 têm espaço disponível para acolher mais famílias.
No entanto, muitos outros deslocados deverão ter fugido das regiões atacadas para segundas residências, casas de familiares ou alojamentos alugados e não constam nas estatísticas oficiais.
Esta situação é uma repetição dos acontecimentos de outubro de 2024, quando as forças israelitas executaram bombardeamentos nas mesmas regiões e eliminaram grande parte da cúpula do Hezbollah, que nos meses anteriores lançara projéteis contra o norte de Israel, em apoio do seu aliado palestiniano Hamas desde o inicio da guerra na Faixa de Gaza.
Enquanto gere as incursões israelitas, o Presidente libanês, Joseph Aoun, declarou hoje que a proibição de atividades militares do Hezbollah, anunciada pelas autoridades libanesas na véspera, "é irreversível".
Aoun assinalou que o Conselho de Ministros "tem o direito de tomar este tipo de decisões e proibir atividades militares ilegais", indicando que a implementação de medidas para cumprir proibição em todas as regiões do Líbano foi confiada às forças de segurança.
O Líbano é um dos países mais expostos à escalada militar na região desde os ataques iniciados no sábado de Israel e Estados Unidos contra o Irão, que respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial" da República Islâmica e os seus aliados na região, incluindo o Hezbollah.