Presidente iraniano garante que Teerão só atacará países vizinhos se for atacado
O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, anunciou hoje que os países vizinhos do Golfo deixarão de ser atacados pelo Irão, exceto se forem lançados ataques contra território iraniano a partir desses Estados.
"O Conselho de Direção Transitório decidiu [na sexta-feira] que deixará de haver ataques contra os países vizinhos, nem lançamento de mísseis, salvo se um ataque contra o Irão partir desses países", declarou, num discurso transmitido pela televisão estatal.
Vários países do Golfo acolhem bases militares norte-americanas. Os vizinhos do Irão têm sido alvo de drones e mísseis desde o início do conflito, a 28 de fevereiro.
Teerão afirmou que tem visado apenas interesses ou bases norte-americanas, o que foi contestado pelos países atingidos.
"Peço desculpa [...] aos países vizinhos que foram atacados pelo Irão", declarou o Presidente iraniano.
Pelo menos 13 pessoas morreram nos países do Golfo desde o início da guerra, incluindo uma menina de 11 anos atingida por destroços numa zona residencial do Kuwait.
Na mesma intervenção, Pezeshkian reiterou o que fora dito sexta-feira pelas autoridades religiosas iranianas, garantindo que o Irão não se renderá aos Estados Unidos e a Israel, numa resposta à exigência do Presidente norte-americano, Donald Trump, feita no dia anterior, de uma "rendição incondicional" para pôr fim à guerra.
"Os inimigos [Israel e os Estados Unidos] podem levar para o túmulo o desejo de ver o povo iraniano render-se", frisou Pezeshkian.
Apesar das palavras de Pezeshlian, a Guarda Revolucionária do Irão, exército ideológico do país, anunciou ataques durante a madrugada contra Telavive e também contra posições de grupos armados de oposição curdos na região do Curdistão iraquiano.
A Guarda indicou que os ataques ocorreram cerca das 04:30 da madrugada e tiveram como alvo três posições de "grupos separatistas na região iraquiana".
Estes grupos encontram-se refugiados no Iraque e, nos últimos dias, meios de comunicação norte-americanos têm especulado sobre a possibilidade de lançarem uma ofensiva no oeste do Irão, na região maioritariamente curda conhecida como Rojhelat, para desestabilizar ainda mais as autoridades iranianas, em plena ofensiva lançada há uma semana pelos Estados Unidos e por Israel.
Num comunicado, citado pela agência semioficial ISNA, um porta-voz militar iraniano advertiu que "se os grupos separatistas da região realizarem qualquer movimento contra a integridade territorial do Irão serão esmagados".