ONU precisa de 546 milhões de euros para atenção humanitária na Venezuela
A ONU anunciou hoje que precisa urgentemente de financiamento de doadores de 546,4 milhões de euros para continuar com o Plano de Resposta Humanitária (PRH) na Venezuela.
Num comunicado divulgado na página web, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, sigla em inglês) explica que em dezembro de 2025 iniciou "uma contagem regressiva para apelar à solidariedade global e mobilizar recursos para salvar milhões de vidas".
"Para poder continuar a apoiar os que mais precisam, em 2026, é urgente que o PRH receba os fundos necessários (...). Na Venezuela, as Nações Unidas e os seus parceiros precisam de US$635 milhões [546,4 milhões de euros] para ajudar 5,5 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade, 54% mulheres", explica.
No documento o OCHA explica que em 2025, a resposta humanitária na Venezuela operou com o nível de financiamento mais limitado dos últimos anos.
"Após o forte recuo de 2024, quando as contribuições dos doadores caíram para o seu nível mais baixo, em 2025 foram recebidos apenas US$115 milhões [98,96 milhões de euros], o equivalente a 19% dos US$606 milhões [521,49 milhões de euros] exigidos pelo Plano de Resposta Humanitária, colocando a Venezuela entre as operações humanitárias mais subfinanciadas a nível global", explica.
Segundo a OCHA, esta brecha reduziu a capacidade da comunidade humanitária de manter e ampliar programas essenciais, com este nível de financiamento a cobrir apenas uma fração das necessidades identificadas e afetando setores-chave.
"A segurança alimentar recebeu menos de 25% do necessário. A saúde, educação, proteção contra a violência de género e nutrição receberam entre 13% e 19%. [Os clusters de] água, saneamento e higiene, proteção de crianças e adolescentes, alojamento, energia e utensílios domésticos receberam menos de 10%. Mesmo assim, as organizações humanitárias, em coordenação com as autoridades, alcançaram 2,1 milhões das 5,1 milhões de pessoas previstas em 2025 (39%)", explica.
Segundo a OCHA, o Fundo Humanitário da Venezuela atribuiu US$ 9 milhões de dólares [7,74 milhões de euros] ao PRH, concentrando-se nas brechas mais urgentes.
No comunicado a ONU alerta que "a falta de financiamento pode deixar milhões de venezuelanos com necessidades críticas em áreas essenciais" e que "para continuar a responder a essas necessidades, é crucial que o PRH receba apoio em 2026".
E precisa que apesar do baixo nível de financiamento em 2025, a resposta humanitária na Venezuela, em articulação com as autoridades nacionais e locais, manteve uma ampla cobertura geográfica, chegando a 314 municípios e 734 paróquias nos 24 estados do país.
"Do total de pessoas atendidas, mulheres e meninas representaram 58%. Isso foi possível graças ao trabalho coordenado de 122 organizações, 69 delas nacionais e locais, o que reflete o impulso que a agenda de localização tem tido", sublinha.
O documento precisa que mais de 697 000 crianças, adolescentes, familiares e profissionais da educação receberam refeições escolares, que 377 000 pessoas, em hospitais e centros de saúde locais, tiveram acesso a medicamentos e materiais médicos, e que 259 000 crianças e mulheres grávidas receberam micronutrientes e suplementos nutricionais.
Também que a preparação e resposta a emergências foi um componente fundamental do trabalho humanitário em 2025, fortalecendo a coordenação no terreno e as capacidades das organizações e comunidades.
"Isso refletiu-se no apoio articulado com as autoridades em caso de eventos climáticos e outras contingências, complementando a resposta oficial e ajudando a população com cabazes básicos, kits de higiene, cuidados de saúde primários, acesso a água potável, serviços de proteção e outros serviços essenciais (...) um total de 156 000 pessoas participaram em atividades de prevenção e resposta a desastres naturais", sublinha.