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Madeira

APRAM quer plataforma para gerir fluxo de turismo por mar

Paula Cabaço procura financiamento para o projecto em parceria com a Câmara do Funchal

A apresentação dos passos dados decorreu esta manhã.
A apresentação dos passos dados decorreu esta manhã., DR

A Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira (APRAM) quer concretizar em parceria com a Câmara Municipal do Funchal uma aplicação para desenhar vários roteiros ao turista que chega por via marítima em função da carga dos locais, o que passará primeiro pela instalação de rede wi-fi no Porto do Funchal. Esta manhã foram apresentados na Gare Marítima da Madeira os novos passos dados na digitalização da infra-estrutura portuária, resultado de um conjunto de dez projectos em três áreas que foram implementados no âmbito do Port Community System, um investimento de 1,5 milhões de euros ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), aqui executado a 100%, anunciou Paula Cabaço.

A presidente do conselho de administração revela que faltou verba para ir mais além, que estão à procura de alternativas de financiamento para essa ferramenta junto de algumas entidades. E explica como funcionaria o modelo que está pensado: “[O passageiro] chegaria ao Porto, perguntaríamos que tipo de programa gostaria de fazer, qual o tempo que está e em função desse questionário a aplicação desenvolveria um roteiro pela cidade e avisaria, se for ao Mercado pode esperar x tempo, se for ao teleférico pode esperar x tempo, e daria alternativas”.

Paula Cabaço estima que seja um investimento na ordem dos 700 mil euros. A interface obriga a identificar os locais visitáveis, ter sensores para contabilizar o número de pessoas em cada um dos locais. “É um projecto complexo, mas também temos que ter motivação para continuar”.

A instalação de rede wi-fi no Porto do Funchal, que será um dos próximos passos, além de garantir internet logo a quem cá chega nos navios ou por ali passa, abrirá uma série de oportunidades de promoção e negócio, acredita. Vai abrir caminho, reforça a gestora, para desenvolver ferramentas que permitem comunicar e conhecer o passageiro e mesmo vender serviços.

A administração tem ao longo destes últimos anos levar o Porto mais longe e afirmá-lo no campo internacional. O Port Community System esta manhã apresentado, é disso prova. Engloba um conjunto de projectos que permitiram aumentar a eficiência operacional do porto, melhorar a experiência do utilizador, ter ganhos de eficiência e promover o porto como pioneiro nas questões ligadas à inovação e ao desenvolvimento, sublinhou Paula Cabaço.

Concretizando, os investimentos assentaram em três pilares: actualização tecnológica da própria APRAM; pela digitalização, eficiência e transparência operacional; e sustentabilidade. Na parte da actualizaçção tecnológica, Paula Cabaço revelou que passou pela instalação de fibra óptica, activos de rede, melhoria do site da APRAM e investimento na cibersegurança do sistema. “Preparamos a casa, fizemos as fundações (…) para que a casa pudesse receber plataformas mais robustas e com grande grau de interoperabilidade”.

Na parte da operacionalização do porto, o segundo pilar, foram desenvolvidas uma plataforma para a gestão de reserva de cais que garante a transparência do sistema e eficiência; e outra para gerir a entrada de excursões no Porto, a entrada destas viaturas. A ferramenta garante a informação dos operadores turísticos e atribuir o local e tempo de espera. Por ano, sublinha a presidente do conselho de administração, entram mais de 20 mil viaturas com este propósito, são pré-programadas e passam agora a ser geridas pelo sistema informático.

Na vertente da sustentabilidade, a APRAM aproveitou o financiamento do PRR para criar duas plataformas para aferir o impacto em termos de pegada ambiental do Porto e dos cruzeiros. No caso da APRAM a plataforma ambiental vai medir e permitir saber em tempo real os consumos de energia e de combustíveis. É particularmente importante para que a estrutura administrativa possa definir metas a melhorar até 2030 com vista à descarbonização, que é o objectivo. A outra plataforma vai permitir à APRAM estimar a emissão de gases dos navios que chegam ao Porto do Funchal e a sua pegada carbónica. Este conhecimento permitirá no futuro cobrar taxas de acordo com o maior ou menor impacto no ambiente, admitiu.