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Guerra no Irão Mundo

Trump quer ser envolvido na escolha de sucessor de Khamenei

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O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que quer ser envolvido na escolha do sucessor de Ali Khamenei como líder supremo do Irão, e rejeitou que o seu filho, Mojtaba Khamenei, possa ser uma opção.

"O filho de Khamenei é um peso-leve. Preciso de estar envolvido na escolha, tal como fiz com Delcy Rodríguez", disse o líder da Casa Branca, em entrevista ao portal norte-americano Axios, referindo-se à homóloga da Venezuela, que subiu ao poder após o antigo Presidente Nicolás Maduro ter sido capturado pelos EUA no início do ano e levado para Nova Iorque.

Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante os seus primeiros bombardeamentos o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989.

Um conselho de liderança assume a direção do país enquanto se desenvolve o processo de sucessão, no qual Mojtaba Khamenei tem surgido como um forte candidato para o cargo, que está reservado a uma figura religiosa.

"O filho de Khamenei não é aceitável para mim. Queremos alguém que traga paz e harmonia ao Irão", declarou Trump ao Axios.

A entrevista foi divulgada dois dias depois de o Presidente norte-americano ter sinalizado que a maioria dos candidatos da preferência de Washington à liderança iraniana no pós-guerra está morta.

"A maioria das pessoas em quem pensávamos já morreu... E agora temos outro grupo. Também podem morrer... Em breve não conheceremos mais ninguém", observou.

Na terça-feira, o Presidente norte-americano já tinha também afastado Reza Pahlavi, filho do último xá do Irão, para a liderança do país numa eventual mudança de regime.

Trump afirmou que Pahlavi "parece muito agradável", mas considerou preferível que a liderança surja a partir do interior do país, "alguém que esteja lá, que seja popular, se é que existe essa pessoa".

As exéquias nacionais de Ali Khamenei estavam inicialmente previstas para quarta-feira à noite, mas foram adiadas.

A capital iraniana tem sido bombardeada sem descanso desde sábado, mas as autoridades não estabeleceram qualquer ligação entre o adiamento e a situação de segurança.

Israel já ameaçou que qualquer substituto será um "alvo de eliminação".

Na terça-feira, ataques aéreos atingiram o edifício da instituição responsável pela escolha do novo líder supremo, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim.

Os potenciais candidatos variam entre representantes da "linha dura" teocrática, comprometidos com a continuação do confronto com o Ocidente, e os reformistas que procuram o diálogo diplomático.

Desde a morte do 'ayatollah' Khamenei, a transição de poder tem sido assegurada por um triunvirato composto pelo Presidente Massoud Pezeshkian, pelo líder do sistema judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e pelo dignitário religioso Alireza Arafi, até que a Assembleia de Peritos eleja um novo líder supremo.