Ucrânia vai apoiar países do Médio Oriente na defesa de ataques de 'drones'
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje que as forças do país darão apoio "no terreno" a países do Médio Oriente na defesa de ataques de 'drones' iranianos, que a Rússia tem usado contra cidades ucranianas desde 2022.
Após uma reunião do seu gabinete sobre a situação no Médio Oriente e na região do Golfo, Zelensky disse nas redes sociais que está em contacto com países atacados pelo Irão, tendo falado na terça-feira com os líderes dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar e hoje com os da Jordânia e do Bahrein, estando previstas conversações com o Kuwait.
"Todos eles enfrentam um sério desafio e falam abertamente sobre ele: os 'drones' de ataque iranianos são os mesmos Shaheds que têm vindo a atingir as nossas cidades, aldeias e as nossas infraestruturas ucranianas ao longo desta guerra", iniciada pela invasão russa de há quatro anos, afirmou Zelensky.
"A Ucrânia pode contribuir para a proteção de vidas e para a estabilização da situação. Os nossos parceiros estão a procurar-nos. Incumbi o Ministro dos Negócios Estrangeiros, juntamente com as agências de informação, o Ministro da Defesa, o comando militar e o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional (CSDN), de apresentarem opções para auxiliar os países relevantes e prestar ajuda de forma a não enfraquecer a nossa própria defesa aqui na Ucrânia", adiantou.
Devido aos ataques russos, a Ucrânia tornou-se o país do mundo com mais experiência em lidar com ataques dos 'drones' iranianos Shahed, que Teerão forneceu à Rússia, além de apoiar a produção russa em grande escala dos modelos adaptados Geran, em troca de tecnologia militar de Moscovo.
"As nossas forças armadas possuem as capacidades necessárias. Especialistas ucranianos vão atuar no terreno e as equipas já estão a coordenar esses esforços. Estamos prontos para ajudar a proteger vidas, defender civis e apoiar esforços concretos para estabilizar a situação e, em particular, restabelecer a segurança da navegação na região", adiantou Zelensky.
Desde sábado, o Irão lançou mais de 800 mísseis de diversos tipos e mais de 1.400 'drones' de ataque, contra Israel e alguns países vizinhos, além de ameaçar a livre navegação, destabilizando os preços globais do petróleo, dos produtos petrolíferos e do gás.
Para Zelensky, o regime iraniano, "que luta para sobreviver a qualquer custo, representa uma clara ameaça para todos os Estados da região e para a estabilidade global".
"Nenhum país próximo do Irão se pode sentir seguro. A navegação pelo estreito de Ormuz está praticamente paralisada. Até à data, o regime iraniano não demonstrou qualquer intenção genuína de praticar uma diplomacia honesta ou de promover mudanças fundamentais", adiantou o Presidente ucraniano.
"Esperamos que a União Europeia, os países europeus e o G7 tomem medidas ativas tanto para desmantelar as capacidades terroristas do regime iraniano como para proteger vidas na região e a estabilidade global. Continuaremos a coordenar ações com os nossos parceiros", frisou.
Israel e Estados Unidos lançaram a 28 de fevereiro uma ofensiva ao Irão para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", tendo matado o líder supremo iraniano, o 'ayatollah' Ali Khamenei, e grande parte dos altos responsáveis da Guarda Revolucionária.
O Conselho de Liderança Iraniano dirige o país após a morte de Khamenei.
Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, o que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.
Segundo as autoridades iranianas, os ataques israelitas e norte-americanos causaram, até agora, mais de mil mortos.
Trump afiançou que a ofensiva ao Irão vai continuar por mais algumas semanas, até que todo o seu programa de mísseis, Marinha e capacidade nuclear sejam destruídos, e avisou que a "grande onda" de ataques ainda não foi lançada e pode chegar "muito em breve".