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Guerra no Irão Mundo

Sánchez reitera oposição a ataques e diz não ter "medo de represálias"

Foto MONCLOA PRESIDENTIAL PALACE HANDOUT/EPA
Foto MONCLOA PRESIDENTIAL PALACE HANDOUT/EPA

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse hoje que está contra a guerra no Médio Oriente iniciada com ataques dos EUA e Israel ao Irão e que não vai mudar de posição "simplesmente por medo a represálias".

"Repudiamos o regime do Irão, que reprime, que mata vilmente os seus cidadãos, em especial as mulheres, mas ao mesmo tempo também rejeitamos o conflito e pedimos uma solução diplomática e política", disse Sánchez, numa declaração transmitida nas redes sociais e pelas televisões a partir da sede do Governo de Espanha, em Madrid.

A posição do Governo de Espanha "não é ingénua, é coerente", e igual à que tem assumido em relação à Ucrânia, Gaza, Gronelândia ou Venezuela, acrescentou, sublinhando que os ataques ao Irão e a resposta do regime de Teerão desrespeitam o direito internacional e a Carta das Nações Unidas.

"Ingénuo é acreditar que as democracias e o respeito entre nações brotam das ruínas ou pensar que praticar o seguidismo cego e servil é uma forma de liderar. A nossa posição não é ingénua, pelo contrário, é coerente, não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo e contrário aos nossos interesses simplesmente por medo de represálias de alguém", acrescentou.

Sánchez fez esta declaração sobre a posição de Espanha sobre o conflito entre EUA, Israel e o Irão depois de críticas e ameaças ao Governo espanhol por parte do Presidente norte-americano, Donald Trump, na terça-feira

"Espanha tem sido terrível. Vamos cortar todo o comércio com Espanha. Não queremos ter nada a ver com Espanha", disse Trump.

Espanha rejeitou a utilização por parte dos EUA das bases militares de Rota e Morón, no sul do país, para as operações relacionadas com os ataques ao Irão lançados no sábado, o que levou os norte-americanos a deslocar os aviões cisterna de abastecimento de outras aeronaves que tinha em território espanhol para bases noutros países da Europa.

Além da postura de Espanha sobre os ataques ao Irão, Trump voltou a criticar também a decisão do Governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, de recusar subir para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional o orçamento dedicado à defesa, como os restantes países-membros da NATO.

Sánchez sublinhou hoje que Espanha é "membro de pleno direito da União Europeia, da NATO e da comunidade internacional" e que é preciso "exigir aos EUA, ao Irão e a Israel que parem antes que seja demasiado tarde".

"Não se responde a uma ilegalidade com outra. È assim que começam os grandes desastres da história. Devemos aprender com a História", acrescentou.

O líder do Governo espanhol lembrou, entre outros conflitos, a guerra no Iraque, para a qual um governo norte-americano "arrastou" países europeus e que além de não ter dado resposta ou solucionado "quase nenhum" dos problemas que queria resolver, ainda provocou uma onda de violência, instabilidade e crises migratórias na Europa e outras regiões do mundo.

Sobre o atual conflito no Médio Oriente, Sánchez considerou que nem sequer estão claros os objetivos dos EUA e de Israel, os países que lançaram os primeiros ataques, no sábado.

"Aquilo que sabemos é que não sairá daqui uma ordem internacional mais justa", defendeu, antes de considerar inaceitável que haja dirigentes a usar "a cortina de fumo da guerra para dissimular as suas debilidades".

O primeiro-ministro espanhol apelou assim ao cesse imediato "das hostilidades e a uma resolução diplomática" do conflito.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

Segundo o Crescente Vermelho iraniano, os ataques de Israel e dos Estados Unidos já fizeram 787 mortos no Irão desde sábado.

O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.