Almoçaradas e afins: o foco no Serviço Público

O debate em torno de Isaltino Morais parece-me inquinado. Centrar a discussão no custo das “almoçaradas”, é olhar para o lado: o verdadeiro problema é a erosão da ética na função pública.

Na sociedade portuguesa, persiste a percepção de que uma minoria de políticos confunde o serviço público com o benefício privado. Falamos de fenómenos como a corrupção, o favorecimento de familiares e amigos e o uso discricionário do erário público em proveito próprio.

A causa pública é uma missão fundamental que envolve pessoas e dinheiros provenientes dos impostos. A acção política deve ser impoluta. Infelizmente, os exemplos em contrário continuam a ser demasiado frequentes.

O servidor da coisa pública deve ser um gestor do bem comum, e não um senhor de um feudo onde o dinheiro dos impostos flui sem escrutínio. Enquanto continuamos a discutir apenas as “almoçaradas”, ignorando o colapso moral que elas representam, estaremos a alimentar o populismo e a afastar os cidadãos da vida política.

Qual a diferença entre os almoços de Isaltino e o aproveitamento que Montenegro terá feito dos serviços jurídicos do Estado para defender a sua empresa Spinumviva? Para mim, a questão é a mesma: falta de ética.

Carlos Oliveira