Direitos Televisivos no futebol português: reformar ou fingir mudar?
A centralização dos direitos televisivos no futebol português é, sem dúvida, um dos temas mais decisivos para o futuro da nossa competição. No entanto, confesso que olho para este processo com algumas reservas.
Será um modelo semelhante ao da Premier League, amplamente reconhecido pela sua competitividade? Um modelo onde existe uma base comum para todos, complementada por critérios desportivos e pelo interesse televisivo.
O contraste com a realidade portuguesa é evidente. Atualmente, a diferença de receitas entre o primeiro e o último classificado consegue chegar a cerca de 15 vezes mais. Em Inglaterra, essa diferença é muito mais reduzida, conseguindo chegar a cerca de 2 ou 3 vezes mais.
Perante este contexto, causa preocupação assistir a posições como a do SL Benfica, que apresentou uma proposta própria e chegou mesmo a admitir não cumprir a lei caso se sinta prejudicado. Se todos os intervenientes adotassem essa mesma postura, o futebol português rapidamente se transformaria numa autêntica bandalheira. Se já não é!
Temo que a pressão dos chamados “três grandes” acabe por desvirtuar este processo.
E, nesse cenário, coloca-se outra questão, estará o Governo disposto a enfrentar essa pressão e a garantir um sistema mais justo? Ou evitará esse confronto?
Espero sinceramente estar errado. Mas, neste momento, há mais razões para preocupação do que para confiança.
Marco Serrão