Profissionais da hotelaria e da restauração têm hoje mais "exigências"
Uma delas é a redução da carga horária, assume o chef do restaurante Desarma
No âmbito do evento da 3.ª Gala do Guia Michelin dedicada exclusivamente a Portugal, o Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal, acolheu, esta manhã, o debate subordinado ao tema ‘Formar o Futuro’.
No debate 'Formar o Futuro', que decorreu hoje no âmbito da Gala do Guia Michelin na Madeira, os oradores presentes focaram na valorização da carreira, na actualização das remunerações e na necessidade de reduzir os horários, por forma a conseguir manter os profissionais no sector. A multiculturalidade também dá mote para a discussão.
Fernando Figueiredo, da Escola de Hotelaria e Turismo da Madeira, referiu que a escola acolhe, neste momento, alunos de cinco nacionalidades. "Corre tudo de forma cor-de-rosa e fluente? Claro que não. Para crescermos temos de ser confrontados com outras realidades e outras percepções". Destacou o facto que a escola de hotelaria permitir um trabalho directo junto do cliente. "Esta estratégia continua a vingar."
Para a estudante Leonor Pinto, a possibilidade de praticar junto do público, e de outros profissionais especializados, dá maior margem de manobra para solucionar os problemas.
Para Noélia Reis, da Savoy Signature, a melhoria das condições laborais na hotelaria é uma preocupação constante. Uma forma de se "posicionar como marca de referência". O grupo, que emprega pessoas de quase 20 nacionalidades, garante que a formação é uma máxima, mas com nuances. "A língua é importante, mas sobretudo a atitude. Se uma pessoa tiver atitude vai conseguir aprender mais depressa".
Aponta a necessidade de nivelar as expectativas das pessoas. "Vamos sempre trabalhar quando as outras pessoas estão a descansar. (...) Temos de perceber que é o nosso papel. É uma arte".
A assessora de Administração da Savoy Signature aponta saídas por dificuldades na conciliação de horários, por dificuldades de comunicação, mas sempre com bom feedback sobre a marca.
Octávio Freitas, Chef 'estrelado', insistiu - já o tinha feito ao início - na revisão da carga horária, sobretudo pela dificuldade em captar profissionais que hoje em dia estejam dispostos a abdicar de tanto do seu tempo. "Hoje as pessoas têm outras prioridades. Já não é apenas o trabalho. Têm os amigos, a família...". Não é certo. Não é errado. Mas é importante no seu entender que se analisem as necessidades das pessoas que ingressam nas empresas.
Por sua vez, Catarina Paiva, do Turismo de Portugal, destacou a valorização da carreira e o aumento das remunerações nos últimos anos no sector do turismo.
O painel, moderado por Ricardo Miguel Oliveira, director geral editorial do DIÁRIO, juntou especialistas com diferentes percursos e responsabilidades no ecossistema da hotelaria e gastronomia, promovendo uma reflexão alargada sobre a preparação das novas gerações de profissionais.