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Guerra no Irão Mundo

Teerão reivindica ataques contra grandes instalações industriais no Golfo

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Foto AP

O Irão reivindicou hoje ataques contra duas das maiores fundições de alumínio do mundo, no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos, reacendendo receios de perturbações significativas para a economia mundial após um mês de guerra no Médio Oriente.

Num conflito que não dá sinais de diminuir de intensidade, o Irão e Israel continuam a bombardear-se mutuamente e vários países do Golfo voltaram a relatar ataques iranianos. No sábado, os rebeldes huthis do Iémen, apoiados por Teerão, abriram uma nova frente na guerra ao lançarem dois ataques contra Israel.

Os Guardas da Revolução, o exército ideológico do Irão, reivindicaram ataques com mísseis e drones que danificaram no sábado as fábricas da Aluminium Bahrain (Alba) e da Emirates Global Aluminium (EGA).

A fundição da Alba, uma das maiores do mundo, já tinha anunciado em 15 deste mês o encerramento de 19% da sua capacidade de produção para fazer face às perturbações no abastecimento provocadas pelo bloqueio, por parte do Irão, do estratégico estreito de Ormuz.

A empresa confirmou no domingo que dois dos seus trabalhadores ficaram ligeiramente feridos no ataque iraniano e afirmou estar a avaliar a extensão dos danos nas suas instalações.

No sábado, a EGA tinha anunciado que a sua fábrica de Al Taweelah, em Abu Dhabi, um dos seus dois locais nos Emirados, tinha sofrido "danos significativos" num ataque que provocou seis feridos.

As duas empresas, "graças aos investimentos e participações de sociedades norte-americanas, desempenham um papel importante no fornecimento às indústrias militares do exército dos Estados Unidos", afirmaram os Guardas da Revolução.

Segundo a mesma fonte, os ataques foram realizados em represália por ações norte-americanas e israelitas contra infraestruturas industriais no Irão.

Hoje de manhã, segundo a agência iraniana Irna, novos bombardeamentos atingiram um cais no porto iraniano de Bandar Khamir, perto do estreito de Ormuz, provocando cinco mortos e quatro feridos.

Os Guardas da Revolução ameaçaram também atacar universidades norte-americanas no Médio Oriente, em retaliação a idênticas operações por ataques que, segundo afirmam, danificaram dois estabelecimentos de ensino superior no Irão.

Várias universidades norte-americanas têm campus em países do Golfo, como a Universidade Texas A&M, instalada no Qatar, ou a Universidade de Nova Iorque, nos Emirados Árabes Unidos.

Disparos de mísseis e drones continuaram hoje em toda a região. Em Teerão, um jornalista da AFP ouviu por duas vezes explosões provenientes do norte da cidade, enquanto fumo se elevava de zonas atingidas a leste.

A cadeia televisiva qatari al-Araby anunciou que o seu escritório na capital iraniana foi atingido por um bombardeamento.

Em Israel, o exército voltou a relatar, como nas noites anteriores, mísseis iranianos a dirigirem-se para o seu território e pediu às populações das zonas visadas que procurassem abrigo.

O Kuwait e os Emirados Árabes Unidos também relataram ataques com drones e mísseis ao amanhecer de domingo.

No âmbito dos esforços diplomáticos para tentar pôr fim à guerra, responsáveis da Turquia, do Paquistão, do Egito e da Arábia Saudita deverão reunir-se ainda hoje e na segunda-feira em Islamabade para "discussões aprofundadas".

Numa altura em que o tráfego marítimo mundial está fortemente perturbado pelo bloqueio do estreito de Ormuz, a entrada dos huthis na guerra poderá agravar a situação: os rebeldes iemenitas realizaram numerosos ataques contra navios comerciais no mar Vermelho entre 2023 e 2025, durante a guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza.