Multidões voltam às ruas contra Governo de Donald Trump
Não só em Nova Iorque, como em Washington e em várias cidades dos EUA, bem como na Europa. Em Portugal, Lisboa e Porto viram protestos 'No Kings'
A terceira edição do protesto "No Kings" voltou a arrastar multidões para as ruas de Nova Iorque, onde se manifestaram contra o Governo "tirano" de Donald Trump, a quem acusam de tentar derrubar a democracia nos Estados Unidos.
Em Nova Iorque, o protesto começou junto ao Central Park e estendeu-se até à turística Times Square, com milhares de pessoas a marcharem pela destituição do Presidente.
"Este Presidente está a quebrar tudo aquilo que a América defende. As guerras, a economia, as leis que Trump tem quebrado... Estamos a perder o Estado de Direito", disse à Lusa Ellen, uma nova-iorquina de 84 anos.
"Nunca pensei que, com esta idade, tivesse de sair à rua para protestar contra o fascismo", lamentou, acrescentando: "Esta já não é a nossa América".
Ellen estava acompanha pelo marido, Mark, de 82 anos, que, por sua vez, expressou grande preocupação com a guerra em curso no Irão.
Na visão do octogenário, Donald Trump está a ser manipulado pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a quem acusou de matar inocentes do Líbano e em outros países da região.
Mais de 3.000 manifestações estão agendadas para hoje em todo o país, para condenar uma série de políticas do chefe de Estado e expressar descontentamento face à sua forma de Governar, que os manifestantes veem como uma tentativa de monarquia.
"Trump quer governar sobre nós como um tirano", diz o 'site' do protesto "No Kings". "Mas esta é a América, e o poder pertence ao povo --- não a aspirantes a reis ou aos seus comparsas bilionários", argumentam.
No meio da multidão, em Nova Iorque, foram erguidos cartazes em que se podia ler "Graças a este Presidente, somos uma vergonha global", "'Impeachment' já!", "Salvem o Congresso, defendam a Constituição, votem nos Democratas", "Abolir a polícia anti-imigração já!" ou "Trump não tem capacidade para ser Presidente".
Tal como nas anteriores edições, os protestos de hoje não estão focados em nenhuma questão específica. Em vez disso, o objetivo é unir pessoas que têm várias queixas contra o Governo federal.
"Tive de sair à rua porque acho que temos de defender a democracia. Estou especialmente preocupado com a intimidação feita aos eleitores. Estou realmente frustrado com a direção que o nosso país está a levar", afirmou à Lusa Tom, de 56 anos.
Sobre a guerra do Médio Oriente, este nova-iorquino defendeu que "alguém tinha realmente de fazer algo contra o regime do Irão", que está a "prejudicar o povo iraniano". Contudo, argumentou que essas ações deveriam ser feitas "por alguém que sabe o que está a fazer", alegando que Donald Trump e o seu Governo não estão preparados para a complexidade da operação.
Já sobre a política anti-imigração da atual administração, Tom enalteceu a importância dos imigrantes para a prosperidade do país.
"Os imigrantes são muito importantes e deviam ser tratados com todo o respeito. A América está a passar por uma má fase, mas quero que saibam que queremos ser amigos do mundo", concluiu.
A primeira edição do "No Kings" aconteceu em junho passado, no mesmo dia em que o Trump agendou um desfile militar em Washington para celebrar os 250 anos do Exército norte-americano --- que também coincidiu com o seu 79.º aniversário.
Quatro meses depois, em outubro, mais de sete milhões de pessoas participaram nas manifestações do "No Kings" em todos os 50 estados norte-americanos, de acordo com a organização, uma coligação de grupos ativistas e associações progressistas.
Já na cidade de Nova Iorque, as autoridades disseram que mais de 100 mil pessoas compareceram na ocasião, com milhares de crianças e idosos na multidão.
Em relação aos protestos de hoje, a organização espera uma adesão ainda superior, prevendo que será o "maior dia de ação não violento" da história norte-americana.
A porta-voz da Casa Branca Abigail Jackson disse, num comunicado divulgado pelo jornal New York Times, que "as únicas pessoas que se importam" com estes protestos "são os repórteres que são pagos para cobri-los".