A dificuldade persistente em controlar o peso corporal, bem como situações de excesso de peso ou obesidade, deve motivar a procura de avaliação médica especializada. A obesidade é actualmente reconhecida como uma doença crónica associada a múltiplas complicações e com impacto significativo na saúde pública.
Nos últimos anos surgiram novas opções terapêuticas, incluindo medicamentos com bons resultados clínicos e um perfil de segurança considerado favorável. Ainda assim, estes tratamentos devem ser sempre iniciados por indicação médica e acompanhados ao longo do tempo, uma vez que o controlo da doença tende a ser prolongado.
Neste 'Explicador', com informações do site do Hospital da Luz, explicamos-lhe tudo.
O que é a obesidade?
De acordo com o site do Hospital da Luz, a obesidade é uma doença crónica complexa caracterizada pela acumulação excessiva de gordura corporal, capaz de comprometer o estado de saúde, aumentar o risco de diversas doenças e reduzir a esperança média de vida.
Durante décadas, esta condição foi frequentemente interpretada de forma simplista, sendo atribuída apenas a hábitos individuais e resumida à ideia de que bastaria ‘comer menos e fazer mais exercício’ para resolver o problema. Contudo, o conhecimento científico actual demonstra que essa visão é insuficiente.
Hoje sabe-se que a obesidade tem uma base neurobiológica bem definida, envolvendo alterações nos sistemas que regulam o apetite, a saciedade e o equilíbrio energético. Existe igualmente uma componente genética relevante, que influencia a predisposição individual para o aumento de peso.
Além disso, factores ambientais desempenham um papel importante. A elevada disponibilidade de alimentos, o sedentarismo, a privação de sono e níveis elevados de stress contribuem para o desenvolvimento da doença.
A obesidade apresenta ainda carácter recidivante. Após a perda de peso, o organismo desencadeia mecanismos adaptativos que aumentam a sensação de fome e reduzem o gasto energético, favorecendo a recuperação do peso perdido. Estes processos fazem parte da fisiopatologia da doença e não devem ser interpretados como falta de força de vontade.
Essa resposta biológica ajuda a explicar porque muitas pessoas experienciam ciclos repetidos de emagrecimento e reganho de peso, mesmo quando seguem programas estruturados de alimentação e exercício.
Quais são os objetivos do tratamento?
Tal como acontece com outras doenças crónicas, como a hipertensão arterial ou a diabetes, o tratamento da obesidade exige frequentemente acompanhamento médico continuado.
O principal objectivo não é apenas reduzir o peso corporal, mas melhorar o estado geral de saúde e prevenir ou tratar doenças associadas, entre as quais:
- diabetes tipo 2;
- hipertensão arterial;
- doenças cardiovasculares;
- apneia obstrutiva do sono;
- doença hepática associada à disfunção metabólica;
- determinados tipos de cancro;
- infertilidade e alterações hormonais relacionais com a função reprodutiva.
Quais são as opções de tratamento?
A abordagem terapêutica da obesidade assenta habitualmente em três pilares fundamentais.
- Mudanças no estilo de vida - incluem medidas como um acompanhamento nutricional adaptado a cada pessoa; prática regular de actividade física adequada à condição clínica; melhoria da qualidade do sono, bem como estratégias para lidar com factores emocionais ligados à alimentação.
- Tratamento farmacológico - nos últimos anos foram desenvolvidos medicamentos que actuam directamente nos mecanismos biológicos na regulação do peso.
- Cirurgia metabólica ou bariátrica - pode ser indicada em situações específicas, sobretudo quando outras estratégias não produziram resultados suficientes ou quando existem complicações relevantes associadas à obesidade.
Embora as alterações no estilo de vida continuem a ser essenciais, reconhece-se actualmente que, para muitos doentes, estas medidas isoladas podem não contrariar plenamente os mecanismos biológicos que favorecem o aumento de peso.
Os novos medicamentos para a obesidade
Os avanços mais recentes incluem medicamentos injectáveis que representam uma evolução importante no tratamento da doença. Estes fármacos não substituem hábitos saudáveis, mas funcionam como complemento terapêutico relevante.
Actuam em hormonas produzidas no intestino que comunicam com o cérebro, nomeadamente o GLP-1 (péptido semelhante ao glucagon-1) e, em alguns casos, o GIP (péptido insulinotrópico dependente da glucose), ambos envolvidos na regulação do apetite e do metabolismo energético.
Estes mecanismos, ajudam a aumentar a sensação de saciedade, reduzir a fome entre refeições, atrasar o esvaziamento gástrico e melhorar o controlo dos níveis de açúcar no sangue. Ensaios clínicos demonstraram perdas de peso médias que podem variar entre cerca de 10% e mais de 20% do peso corporal inicial, dependendo do medicamento utilizado e das características individuais.
Para além da redução ponderal, alguns destes tratamentos evidenciaram benefícios adicionais em doenças associadas, como diabetes tipo 2, doença hepática metabólica, apneia do sono e risco cardiovascular.
Quem pode beneficiar do tratamento farmacológico?
De forma geral, os medicamentos para a obesidade podem ser considerados em adultos com:
- índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m²
- IMG igual ou superior a 27 kg/m² quando existem doenças associadas, como diabetes, hipertensão, dislipidemia ou apneia do sono.
A resposta ao tratamento varia entre indivíduos e nem todos necessitam de terapêutica farmacológica. A decisão deve ser personalizada e tomada em conjunto entre o médico e o doente, após avaliação clínica detalhada.
Segurança e importância do acompanhamento médico
Como qualquer intervenção médica, estes medicamentos podem provocar efeitos adversos. Os mais frequentes são sintomas gastrointestinais, como náuseas, sensação de enfartamento, diarreia ou obstipação. Na maioria dos casos, estes efeitos são ligeiros e temporários, sobretudo quando a dose é aumentada gradualmente.
Dado que a obesidade é uma doença crónica e recorrente, o tratamento tende a prolongar-se no tempo, sendo essencial o acompanhamento médico regular para:
- ajustar doses de forma individualizada;
- monitorizar efeitos adversos;
- garantir uma perda de peso saudável, preservando a massa muscular.
Existem estudos internacionais que envolvem milhões de doentes indicam que estes tratamentos apresentam um perfil de segurança favorável quando utilizados sob supervisão clínica.
Compreender a obesidade e procurar ajuda
A evidência científica demonstra claramente que a obesidade não resulta apenas de escolhas individuais ou falta de determinação. Trata-se de uma doença crónica com bases biológicas que requer compreensão, acompanhamento médico e acesso a tratamento adequado.
Reconhecer esta realidade é fundamental para combater o estigma associado à doença e melhorar o acesso a cuidados de saúde eficazes.
Pessoas com dificuldade persistente em controlar o peso, excesso de peso ou suspeita de obesidade devem procurar aconselhamento médico. Actualmente existem várias estratégias terapêuticas capazes de melhorar a saúde, reduzir complicações e aumentar a qualidade de vida.
Este Explicador contém informações do site Hospital da Luz.