Governo português recusa alarmismo e arriscar comprometer "o que foi conquistado"
O ministro dos Assuntos Parlamentares assinalou hoje que o Governo recusa "soluções fáceis ou imediatistas geradas no alarmismo" e não vai comprometer "o que foi conquistado" nos últimos anos, ao abordar as consequências da guerra no Irão.
Carlos Abreu Amorim considerou que as consequências económicas do conflito no Médio Oriente são "imprevisíveis na sua duração" e "impossíveis de calcular na dimensão da sua gravidade e efeitos colaterais".
"É precisamente por causa disso que o Governo recusa soluções fáceis ou imediatistas geradas no alarmismo e filhas da precipitação", defendeu, no encerramento da interpelação ao Governo requerida pelo PCP, sobre medidas para combater a subida de preços após o ataque dos Estados Unidos da América ao Irão.
O ministro dos Assuntos Parlamentares garantiu também que o Governo não vai "comprometer agora o que foi conquistado nos dois últimos anos", protegendo o país.
"O que está em causa não é apenas responder a um aumento de preços, mas sim garantir que Portugal não perde o equilíbrio que lhe permite respostas necessárias em cada momento. Foi esse equilíbrio que nos permitiu chegar até aqui, aliviar a carga fiscal, reduzir os juros, proteger o emprego e será esse equilíbrio que nos vai permitir ultrapassar também este contexto", defendeu.
Carlos Abreu Amorim indicou que as respostas do Governo "serão sempre ponderadas e gizadas na consideração dos múltiplos fatores de interesse público que a responsabilidade democrática da governação exige".
"Tudo o que fizemos até agora e as medidas que viermos a tomar no futuro enquanto esta crise permanecer serão pautadas pelo rigor ditado pela prudência estratégica, sempre acompanhada de sangue-frio indispensável àqueles que têm o dever de decidir nas horas de ânsia e de pouca bonança", defendeu.
Antes, o secretário de Estado da Economia admitiu que o Governo poderá ajustar a resposta à subida dos preços "se a situação se prolongar".
João Rui Ferreira garantiu que o executivo vai "agir sempre que necessário", com base "em critérios objetivos" e de forma articulada "com o enquadramento europeu".