Merz diz que Kiev já não precisa de mísseis Taurus mas de dinheiro
O chanceler alemão afirmou hoje que a Ucrânia não precisa de mísseis Taurus produzidos na Alemanha, porque já fabrica esse tipo de armamento, lamentando a ausência de apoio financeiro da UE devido ao veto da Hungria.
"Atualmente, a Ucrânia possui o seu próprio arsenal de armas de longo alcance, armas que eles próprios produzem, em parte com a nossa ajuda, e que são muito mais eficazes do que o número relativamente reduzido de mísseis de cruzeiro Taurus que poderíamos ter fornecido", declarou Friedrich Merz, durante uma sessão de perguntas na câmara baixa do parlamento, o Bundestag.
"A Ucrânia está hoje mais bem armada que nunca", declarou o chefe do Governo alemão, respondendo a uma pergunta do deputado do Partido Verde, Robin Wagener, sobre quando é que o Governo alemão ia decidir sobre o envio de mísseis Taurus para a Ucrânia, algo que Merz defendeu quando era líder da oposição.
"Eu disse isso numa altura em que presumia que as Forças Armadas alemãs tinham mísseis de cruzeiro Taurus totalmente operacionais suficientes nos seus arsenais para abastecer a Ucrânia", observou Merz, dando a entender que essas armas alemãs tinham deixado de ter interesse para Kiev.
O chanceler reconheceu que a Ucrânia necessita é de apoio financeiro, que, para já e devido ao veto da Hungria, a UE não pode prestar.
Em dezembro, os líderes da UE acordaram financiar a Ucrânia com um empréstimo de 90 mil milhões de euros; contudo, a Hungria, que no final do ano aprovou a medida, decidiu vetar.
Merz afirmou que o país invadido pela Rússia "enfrenta graves dificuldades financeiras" e lamentou que a Hungria se recuse a cooperar e simplesmente exerça o direito de veto.
"Espero que possamos resolver este problema a médio prazo, mas é extremamente difícil", comentou o chanceler alemão, sublinhando que "é algo inédito" na história da UE que os parceiros europeus não consigam agir devido à oposição de um único país.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - depois do desmoronamento da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
A guerra na Ucrânia já causou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões -- Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO.
Estas condições -- constantes do plano de paz apresentado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para solucionar o conflito - são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige um cessar-fogo incondicional de 30 dias antes de entabular negociações de paz com Moscovo e que os aliados europeus lhe forneçam sólidas garantias de que não voltará a ser alvo de ataque.