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Guerra no Irão Mundo

Líder do Hezbollah condena plano de "Grande Israel" em território libanês

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O líder do grupo xiita Hezbollah, Naim Qassem, condenou hoje uma alegada tentativa de criação de um "Grande Israel" abrangendo território libanês e afirmou que só resta ao movimento confrontar estes planos ou entregar-se.

"Já não é segredo que existe um perigoso projeto israelo-americano, o 'Grande Israel', que se baseia na ocupação e expansão do Eufrates até ao Nilo, incluindo o Líbano", declarou o secretário-geral do grupo político e militar aliado do Irão em comunicado.

Na terça-feira, o ministro da Defesa israelita indicou que o exército de Israel vai criar "uma linha de defesa avançada" de cerca de 30 quilómetros até ao rio Litani, no sul do Líbano, justificada como uma medida de segurança face aos ataques aéreos do Hezbollah contra Israel.

Naim Qassem defendeu que, neste contexto, o confronto com o exército israelita é uma responsabilidade nacional de todos os libaneses, incluindo o Governo, o exército e as diversas comunidades religiosas e partidos políticos.

"Ficou claro que temos duas opções: ou nos rendemos e renunciamos à nossa terra, dignidade, soberania e ao futuro das próximas gerações, ou enfrentamos e resistimos inevitavelmente à ocupação para a impedir de atingir os seus objetivos", afirmou.

Segundo o líder do grupo libanês, só "a unidade nacional impedirá o inimigo de ocupar o país" e as diferenças entre os atores nacionais podem ser resolvidas mais tarde.

Qassem acrescentou que a unidade nacional significa reverter as medidas adotadas pelo Governo no início do atual conflito, quando proibiu as atividades armadas do Hezbollah no seguimento do recomeço dos seus ataques aéreos contra Israel, em 02 de março, dois dias após o início da ofensiva israelo-americana contra o seu aliado Irão.

Em resposta, Israel desencadeou uma forte campanha aérea contra alegados alvos do Hezbollah no Líbano, ao mesmo tempo que as suas tropas terrestres expandiram as posições militares que já ocupavam no sul do país desde o conflito anterior.

Pelo menos 1.072 pessoas morreram desde o início do mês no Líbano, incluindo 121 crianças, e outras 2.966 ficaram feridas, segundo o último balanço oficial das autoridades de Beirute, que registam também mais de um milhão de deslocados.

O Presidente libanês, Joseph Aoun, procurou um cessar-fogo negociado com Israel, até agora sem sucesso, uma opção que o líder do Hezbollah considerou "inaceitável" face à ocupação e aos ataques em curso de Israel.

Do mesmo modo, reafirmou oposição à iniciativa lançada pelo Governo libanês no ano passado de desarmar o seu movimento e deixar a defesa nacional apenas nas mãos de um exército enfraquecido.

"Quando se propõe um monopólio estatal sobre as armas para apaziguar Israel enquanto a ocupação e a agressão continuam, isso representa um passo para o desaparecimento do Líbano e para a concretização do sonho do 'Grande Israel'", reforçou Naim Qassem.

A declaração do líder do Hezbollah surge um dia depois de o Líbano ter expulsado o embaixador iraniano em Beirute, uma medida que o grupo libanês, historicamente apoiado e financiado por Teerão, avisou que terá "consequências perigosas", mas bem recebida em Israel.

No mesmo dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, voltou a exigir ao Governo libanês que "tome medidas concretas e significativas" contra o Hezbollah, depois de o chefe do executivo, Benjamin Netanyahu, ter advertido nas últimas semanas que ou Beirute trata do assunto ou Israel vai fazê-lo no seu lugar.

Israel e o Hezbollah chegaram a um acordo de cessar-fogo em novembro de 2024 para terminar mais de um ano de confrontos diretos no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, mas o entendimento nunca foi respeitado por completo.

A missão de paz da ONU no Líbano (FINUL), que opera numa região no sul do país, junto à fronteira com Israel e supostamente vedada tanto aos militares israelitas como aos combatentes do Hezbollah, termina o seu mandato este ano.