Guterres nomeia diplomata francês para liderar esforços da ONU
O secretário-geral da ONU anunciou hoje a nomeação do diplomata francês Jean Arnault como enviado pessoal para liderar os esforços da organização no atual conflito no Médio Oriente.
Numa declaração à imprensa, em Nova Iorque, António Guterres admitiu que mantém contacto próximo "com muitas pessoas da região e de todo o mundo" sobre a guerra entre Irão, Israel e Estados Unidos, um conflito que está a afetar todo o Médio Oriente, além do comércio global.
"Estão em curso diversas iniciativas para o diálogo e a paz. Elas precisam de ter sucesso. Acabei de nomear Jean Arnault como meu enviado pessoal para liderar os esforços da ONU no conflito e nas suas consequências", disse.
"A minha mensagem aos Estados Unidos e a Israel é que já passou da hora de pôr fim à guerra, à medida que o sofrimento humano se aprofunda, as baixas civis aumentam e o impacto económico global torna-se cada vez mais devastador. A minha mensagem ao Irão é que pare de atacar os vizinhos", pediu.
Mais de três semanas depois do início da guerra, Guterres disse que o conflito está fora de controlo.
"O conflito ultrapassou os limites que até os líderes consideravam inimagináveis. O mundo está perante a iminência de uma guerra mais vasta, de uma onda crescente de sofrimento humano e de um choque económico global ainda mais profundo. Isto foi longe demais", salientou.
O antigo primeiro-ministro português defendeu ser tempo de parar a escalada deste conflito "e começar a subir a escada diplomática e regressar ao pleno respeito pelo direito internacional".
O encerramento prolongado do estreito de Ormuz está a sufocar o fluxo de petróleo, gás e fertilizantes num momento crítico da época global de plantação, observou, instando à liberdade de navegação em torno de rotas marítimas críticas.
António Guterres regressou recentemente de uma viagem ao Líbano, onde testemunhou os impactos desta guerra.