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Guerra no Irão Mundo

Zelensky lamenta que EUA estejam concentrados no Irão

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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, lamentou hoje que os norte-americanos estejam sobretudo concentrados na guerra no Irão, após dois dias de negociações entre enviados de Kiev e Washington na Florida para pôr fim ao conflito na Ucrânia.

Embora saudando a realização destas negociações, Zelensky lamentou, na sua mensagem diária à população ucraniana, que "a situação em torno do Irão" tenha sido "o principal foco de atenção da parte norte-americana".

Por seu lado, o enviado norte-americano, Steve Witkoff, considerou que as conversações de sábado e hoje na Florida foram "construtivas", numa mensagem publicada na rede social X.

Uma primeira versão da sua publicação fazia uma breve menção a "um avanço" nas negociações "sobre uma questão humanitária fundamental", mas depois essa parte da mensagem foi apagada.

"As conversações construtivas assentaram nos progressos alcançados ontem [sábado] e centraram-se em pontos-chave para definir um quadro de segurança sólida e fiável para a Ucrânia, bem como em esforços humanitários essenciais na região", lê-se na sua conta da X.

O negociador ucraniano Rustem Umerov também relatou "progressos" nas negociações.

"Nas reuniões, centrámo-nos nas questões de garantias de segurança fiáveis e na dimensão humanitária, em particular na troca e no repatriamento dos nossos cidadãos", afirmou na rede social Facebook.

A sua delegação regressará à Ucrânia para consultas.

"Há sinais que levam a pensar que novas negociações poderão ser possíveis", sublinhou Volodymyr Zelensky, acrescentando: "Esperamos que tal aconteça".

Esta iniciativa diplomática norte-americana para tentar pôr fim ao conflito mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial estava paralisada antes deste fim de semana, desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos ao Irão no final de fevereiro, uma guerra que entretanto alastrou a todo o Médio Oriente.

Perante a subida dos preços do petróleo, Washington flexibilizou recentemente algumas restrições às vendas de hidrocarbonetos russos, de forma a estabilizar o mercado.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado, em ofensivas com drones, alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões -- Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).

Estas condições -- constantes do plano de paz apresentado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para solucionar o conflito - são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige um cessar-fogo incondicional de 30 dias antes de entabular negociações de paz com Moscovo e que os aliados europeus lhe forneçam garantias sólidas de que não voltará a ser alvo de ataque.