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Guerra no Irão Mundo

Paquistão decreta recolher obrigatório após protestos por morte de 'ayatollah'

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FOTO SHAHZAIB AKBER/EPA

As autoridades paquistanesas mobilizaram hoje os militares e impuseram um recolher obrigatório de três dias no norte do país, após várias pessoas terem morrido em protestos violentos pelo assassinato do líder supremo do Irão.

Milhares de manifestantes xiitas, que são apoiados pelo Irão, atacaram no domingo as instalações do Grupo de Observadores Militares da ONU (UNMOGIP), que monitoriza o cessar-fogo ao longo da região de Caxemira, disputada pelo Paquistão, Índia e China, e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na cidade de Skardu.

Os manifestantes também incendiaram uma esquadra de polícia e danificaram uma escola e os escritórios de uma instituição de caridade local em Gilgit, segundo as autoridades, que adiantaram terem morrido pelo menos 12 pessoas e ficado feridas outras 80.

No sul do país também se registaram confrontos, depois de manifestantes pró-regime iraniano terem invadido, no domingo, o consulado dos Estados Unidos na cidade portuária de Karachi, partindo janelas e tentando incendiar o edifício.

A polícia respondeu com bastões, gás lacrimogéneo e tiros, fazendo 10 mortos e mais de 50 feridos.

Uma outra pessoa foi também morta em confrontos em Islamabad durante uma tentativa de marcha xiita em direção à embaixada dos EUA.

A embaixada dos EUA e os seus consulados em Karachi e Lahore cancelaram hoje todas as marcações para revisão de vistos de cidadãos norte-americanos, alegando preocupações de segurança.

Por seu lado, as autoridades paquistanesas reforçaram a segurança nas missões diplomáticas dos EUA em todo o país, incluindo nos arredores do edifício do consulado norte-americano em Peshawar, para evitar mais violência.

A raiva tem vindo a aumentar no Paquistão, particularmente entre os membros da minoria xiita, após os ataques ao Irão iniciados no sábado pelos EUA e Israel, que mataram o líder supremo Ali Khamenei e outros representantes do regime.

Embora os xiitas sejam uma minoria no Paquistão, constituem a maioria em alguns distritos do norte e na província de Khyber Pakhtunkhwa, na fronteira com o Afeganistão.

Os distúrbios de domingo aconteceram a par da manutenção dos confrontos transfronteiriços em curso com o Afeganistão, que começaram na quinta-feira, depois de Cabul ter retaliado pelos ataques aéreos paquistaneses do domingo anterior.

Desde então, o Paquistão tem realizado repetidas operações ao longo da fronteira.

Segundo o Governo paquistanês, pelo menos 415 combatentes talibãs foram mortos e 46 locais afegãos foram bombardeados na operação denominada 'Ghazb lil Haq' (Raiva pela Verdade).

O relatório oficial destaca os danos nas infraestruturas militares e fronteiriças do regime talibã, com a destruição de 182 postos afegãos e a tomada de controlo de outros 31.

O desenvolvimento desta ofensiva transfronteiriça foi um dos temas centrais de uma reunião de segurança de alto nível realizada no domingo em Islamabad, presidida pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.

Nenhum dos números de vítimas ou danos materiais fornecidos pelas autoridades paquistanesas pôde ser verificado de forma independente devido ao rigoroso bloqueio de informações e à impossibilidade de acesso à zona de conflito.