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Guerra no Irão Mundo

MNE iraniano conversa com Kallas e critica hipocrisia da UE face a ataques contra Teerão

Abbas Araghch, ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, conversou, ao telefone, com a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.
Abbas Araghch, ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, conversou, ao telefone, com a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas., Foto EPA

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano conversou hoje por telefone com a chefe da diplomacia da União Europeia (UE) e criticou a hipocrisia europeia ao abordar a agressão militar norte-americana e israelita contra o Irão.

Segundo informou o gabinete do chefe da diplomacia de Teerão, Abbas Araghchi criticou o que considera uma hipocrisia por parte de alguns países europeus e altos funcionários da UE e afirmou que "qualquer apoio ou tolerância" face aos ataques ao Irão "constitui cumplicidade nos crimes".

Por seu lado, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, manifestou a sua preocupação com as consequências da guerra e referiu a situação no Estreito de Ormuz, garantindo que os países europeus estão preocupados com a paz e a segurança da região, informou ainda o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão.

No final da tarde de hoje, Kallas condenou em comunicado o "ato brutal de violência sem sentido", na sequência da execução de um cidadão com dupla nacionalidade sueco-iraniana no Irão.

"A situação terrível dos direitos humanos no Irão e o aumento alarmante do número de execuções são intoleráveis e revelam a verdadeira face do regime", afirmou Kallas, citada no comunicado, apelando ao Irão para que abolisse a pena de morte.

O indivíduo, cuja identidade não foi divulgada, tinha obtido a nacionalidade sueca em 2019 e estava detido desde junho do ano passado.

O Governo sueco convocou o embaixador iraniano para protestar contra a aplicação da pena de morte e condenou "a aplicação da pena" e o "julgamento injusto que a precedeu".

Na terça-feira, Kallas afirmou que "o impacto do bloqueio do comércio no Estreito de Ormuz é verdadeiramente global", referindo-se à passagem marítima por onde passa 20% do petróleo mundial.

"Preocupa-nos a liberdade de navegação, mas ontem [segunda-feira], durante a reunião [em Bruxelas dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE], também ficou muito claro que esta não é uma guerra da Europa. Não fomos nós que a iniciámos. Não fomos consultados", afirmou a responsável pelos Negócios Estrangeiros da UE.

Os líderes dos 27 do bloco europeu vão reunir-se na quinta-feira em Bruxelas para discutir a resposta comunitária aos impactos da escalada militar no Médio Oriente, sobretudo para fazer face aos elevados preços da energia e garantir segurança energética.

Naquela que é a primeira reunião do Conselho Europeu desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irão e da consequente resposta iraniana, no final de fevereiro, os chefes de Estado e de Governo da UE vão centrar o debate na competitividade estratégica europeia, focando-se na questão energética.

A escalada do conflito no Médio Oriente, uma região-chave para o fornecimento global de combustíveis fósseis, está a provocar uma subida acentuada dos preços do petróleo e do gás e a afetar a economia europeia, com impacto direto nas famílias e no poder de compra dos consumidores.