Combate à "cultura da cunha e do amiguismo" deve começar nas escolas
O presidente do Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC), José Mouraz Lopes, defendeu esta manhã a importância da educação como principal ferramenta no combate à corrupção, durante uma sessão realizada na Escola Profissional Francisco Fernandes, que contou também com a presença da secretária regional de Educação, Elsa Fernandes.
Na sua intervenção, o juiz conselheiro sublinhou que, embora o MENAC disponha de competências administrativas e sancionatórias, a sua missão mais relevante centra-se na prevenção da corrupção e na promoção de uma cultura de integridade e ética. “Na corrupção é melhor prevenir do que curar”, afirmou, destacando que a actuação junto das escolas e do sistema de ensino é uma das prioridades do organismo. O responsável defendeu que é no contexto educativo que se podem operar mudanças estruturais na sociedade, apelando à introdução e reforço de conteúdos relacionados com ética, cidadania e Estado de Direito nos currículos escolares. Segundo explicou, apesar de já existirem disciplinas nesta área, poderá ser necessário aprofundar e especificar melhor esses conteúdos.
José Mouraz Lopes explicou que os professores têm a capacidade de influenciar e mudar comportamentos, não só nas crianças mais pequenas, como também nos jovens que frequentam as universidades, e têm um papel importante no combate a práticas enraizadas: "Há culturas que achamos que são muito naturais e são levadas ao longo da vida mas que depois acabam por tornar-se complicadas. A cultura da cunha, a cultura do amiguismo, a cultura do nepotismo, tudo isto passa muitas vezes por dimensões práticas que a escola vai ter de identificar".
O presidente do MENAC defendeu a criação de uma cultura de integridade e ética desde o início da escola. "Todos os países que têm melhores índices de percepção de corrupção são os países que apostaram, num primeiro momento, na educação, nas escolas e na cultura das pessoas. Pelo contrário, todos aqueles [países] que só se preocuparam muitas vezes com a repressão, acabaram por ter problemas, porque não tiveram esta capacidade de intervir a montante", descreveu.
Por fim, deixou um apelo à transformação cultural das novas gerações: "Seria muito interessante nós virmos os miúdos daqui a uns anos discutir nas redes sociais não apenas a forma de ser do Cristiano Ronaldo ou dos artistas musicais e do cinema, mas também se é lícito ou permitido determinado comportamento, se podem ser futuros dirigentes da Região Autónoma da Madeira sem que se sintam culpabilizados pelo facto de terem amigos que se envolveram em questões problemáticas".