Hamas reúne-se no Cairo com Conselho da Paz
Enviados do Hamas reuniram-se nos últimos dias no Cairo com o Conselho da Paz, instituído pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para supervisionar o cessar-fogo na Faixa de Gaza, disseram hoje fontes do grupo islamita palestiniano à agência espanhola EFE.
A delegação do Hamas realizou reuniões durante o fim de semana e hoje com Nikolay Mladenov, alto-representante para a Faixa de Gaza e outros membros do Conselho da Paz, para discutir a implementação da segunda fase do acordo de cessar-fogo, iniciado em outubro passado com Israel.
O veterano dirigente do Hamas Nizar Awadallah e vários outros elementos do gabinete político da organização estiveram presentes nas reuniões.
Segundo as fontes consultadas pela EFE, a delegação do Hamas e Mladenov reuniram-se duas vezes e discutiram "as contínuas violações israelitas [da trégua] e a necessidade de as impedir, obrigando Israel a implementar a segunda fase do acordo".
Além disso, o grupo islamita levantou uma alegada instrumentalização da guerra lançada em 28 de fevereiro por Israel, em conjunto com os Estados Unidos, contra o seu aliado Irão, "para intensificar a agressão em Gaza e fechar as passagens fronteiriças".
As mesmas fontes relataram que o Hamas apresentou um relatório a Mladenov e às autoridades do Egito, um dos países mediadores do conflito na Faixa de Gaza, detalhando mais de 800 violações israelitas, e reafirmou os seus "esforços contínuos para as impedir, avançar na implementação do acordo de cessar-fogo e concluir os esforços de ajuda humanitária para a reconstrução".
Uma fonte egípcia próxima das reuniões no Cairo confirmou à EFE, sob anonimato, que o Hamas reiterou o seu compromisso com a plena implementação do cessar-fogo e alertou que a contínua agressão israelita prejudica os esforços dos mediadores para consolidar a trégua e iniciar a segunda fase do acordo.
A mesma fonte indicou que a delegação do Hamas discutiu igualmente a possibilidade de permitir que o Comité Nacional para a Administração, órgão tecnocrático transitório para gerir a Faixa de Gaza, tenha acesso ao território e assuma responsabilidades governamentais para aliviar o sofrimento dos habitantes.
No domingo, o departamento de assuntos civis das forças armadas de Israel (COGAT) anunciou que a passagem de Rafah, que liga a Faixa de Gaza ao Egito, será reaberta na quarta-feira, tanto para entradas como saídas.
O COGAT indicou que a passagem funcionará com os mesmos procedimentos em vigor antes do seu último encerramento, decretado por Israel em 28 de fevereiro, coincidindo com o início da ofensiva no Irão.
Antes deste último encerramento, Israel permitia que uma média de 13 pessoas doentes e feridas abandonassem a Faixa de Gaza diariamente por Rafah, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Israel e o Hamas assinaram a primeira fase do acordo de cessar-fogo por proposta de Washington em outubro de 2025, que incluía a suspensão da ofensiva israelita, a troca de reféns por prisioneiros palestinianos e a entrada de ajuda humanitária.
A segunda fase, que ainda não teve acordo, prevê a retirada total das tropas israelitas, o desarmamento das milícias palestinianas, a reconstrução do território e o estabelecimento de um governo de transição, bem como de uma força internacional de paz.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 70 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.