AAM defende Marítimo e fala em desrespeito pela autonomia regional
Decisão da Federação de Andebol de Portugal em dar falta de comparência ao Marítimo no jogo com o FC Porto, poderá vir a criar um precedente preocupante, avisa o presidente da Associação de Andebol da Madeira
A Associação de Andebol da Madeira tomou hoje uma posição em relação à decisão da Federação de Andebol de Portugal (FAP), ao aplicar uma falta de comparência ao Marítimo Madeira Andebol SAD no jogo frente ao FC Porto a contar para a 21.ª jornada do Campeonato Nacional da I Divisão em andebol masculino.
Bernardo Vasconcelos, presidente da AAM, não tem dúvidas que a solução mais justa seria o adiamento do jogo, para além de que esta decisão tomada merece uma reflexão profunda e séria.
“A decisão da Federação de Andebol, através do seu conselho disciplinar, em aplicar falta de comparência ao CS Marítimo no jogo frente ao Porto é profundamente questionável e merece uma reflexão séria. Em vez de penalizar o clube madeirense, a solução mais justa e equilibrada teria sido o adiamento da partida”, começou por adiantar ao DIÁRIO o responsável máximo da AAM para depois acrescentar.
“Em primeiro lugar, por razões desportivas, o princípio da verdade desportiva deve prevalecer em qualquer competição. Em segundo lugar, esta decisão ignora as especificidades da realidade insular. Os clubes das Regiões Autónomas enfrentam condicionantes logísticas evidentes, sobretudo no que diz respeito às deslocações. Situações imprevistas que afetam viagens, ligações aéreas, como foi o caso, e não podem ser tratadas da mesma forma que ‘ocorrências’ no território continental. Nestes casos, o bom senso e o respeito pela igualdade de oportunidades exigem flexibilidade e diálogo. O Marítimo teve sempre esse cuidado de dialogar com a federação”, reforçou.
Bernardo Vasconcelos vai ainda mais longe afirmando que esta decisão tomada pelo Conselho de Disciplina da FAP, “revela um desrespeito pela autonomia regional e pelo princípio da continuidade territorial, princípios fundamentais que procuram garantir que os cidadãos e as instituições das regiões autónomas não sejam prejudicados pela sua condição geográfica. O adiamento do jogo teria sido a solução mais sensata, justa e alinhada com os valores do desporto. Permitiria preservar a verdade desportiva, respeitar as dificuldades logísticas inerentes às regiões autónomas e evitar um precedente negativo para o futuro. A meu ver criou-se um precedente preocupante”.
A finalizar o presidente da AAM reforça que “o desporto deve unir o país e garantir igualdade de oportunidades a todos os clubes, independentemente da sua localização”.
“Penalizar um clube insular por circunstâncias que escapam ao seu controlo não contribui para esse objectivo — pelo contrário, fragiliza a confiança nas instituições que tutelam a competição”, concluiu.