“Tivemos em 2025 um resgate a cada três dias”
Polícia florestal destaca exigência e riscos do trabalho na montanha
André Andrade tem 37 anos e integra a Polícia Florestal da Madeira desde 2021. Antigo sargento do Exército durante seis anos e meio, decidiu mudar de carreira quando surgiu a oportunidade de ingressar neste corpo de vigilância e socorro em meio natural.
“Eu comecei uma carreira militar no Exército, fui sargento durante seis anos e meio e sempre tive gosto em vestir uma farda. Quando surgiu a oportunidade de vir para a Polícia Florestal concorri e consegui entrar”, contou.
Entre os principais desafios da profissão aponta o isolamento em que muitas vezes trabalham, as condições meteorológicas adversas e o aumento das ocorrências associadas ao crescimento do turismo na serra.
“Às vezes o isolamento que temos, o mau tempo e agora, com o turismo mais intenso, os resgates têm aumentado. Em 2025 tivemos um resgate a cada três dias. Não há hora e muitas vezes o tempo não é o melhor quando acontecem estas situações, mas temos de garantir a segurança e participar nessas intervenções”, explicou.
O polícia florestal recorda um episódio particularmente exigente ocorrido no Curral das Freiras, numa operação de busca realizada em articulação com os bombeiros.
“Começámos um resgate junto com os Bombeiros de Câmara de Lobos por volta das dez da noite e eu acabei às sete da manhã na estrada da Teixeira sem conseguirmos encontrar quem estava perdido. Depois, durante o dia, a Protecção Civil e os restantes elementos conseguiram localizar a pessoa, já perto das cinco da tarde”, relatou.
As operações decorrem muitas vezes em zonas de difícil acesso e fora dos percursos pedestres.
“Estamos a falar de declives acentuados. Neste caso nem sequer estavam em percurso, começaram praticamente a subir a montanha sem qualquer noção de onde estavam”, disse, sublinhando que, apesar das dificuldades, os desaparecidos acabaram por ser encontrados com vida.
Para enfrentar este tipo de situações, a Polícia Florestal dispõe de diversos equipamentos de apoio às buscas, que têm vindo a ser modernizados.
“Foram adquiridos drones para a Polícia Florestal e temos também GPS, binóculos e rádios. Todo esse equipamento é essencial para este tipo de resgates que temos aqui na Madeira”, referiu.
Quanto ao futuro da corporação, André Andrade considera que o trabalho desenvolvido tem sido reconhecido.
“A Polícia Florestal tem sido valorizada, tal como foi referido hoje, e estamos satisfeitos com aquilo que o Governo tem demonstrado para este corpo”, concluiu.