ONU reitera preocupação com escassez de combustível em Cuba e procura enviar apoio
A ONU reiterou hoje preocupação com a crescente escassez de combustível em Cuba, e o impacto na população, estando a trabalhar com o Governo para prestar mais apoio, com alimentos, água e cuidados de saúde.
Numa conferência de imprensa, em Nova Iorque, o porta-voz da ONU indicou que a organização acompanha de perto a situação em Cuba, país que enfrenta interrupções no fornecimento de água potável, assistência médica, alimentos e outros bens essenciais em partes do país que foram duramente atingidas pelo furacão Melissa, em outubro passado.
"As Nações Unidas continuam a monitorizar a situação no país e a trabalhar com o Governo para prestar mais apoio, incluindo alimentos, água, saneamento e cuidados de saúde. Preocupa-nos a crescente escassez de combustível e o impacto na população", afirmou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.
Dujarric expressou também preocupação com a possibilidade de a escassez de combustível afetar o funcionamento dos aeroportos cubanos.
"Como se devem recordar, em novembro passado, a nossa equipa em Cuba lançou um Plano de Ação para apoiar a resposta nacional após o furacão Melissa, que afetou mais de dois milhões de pessoas, o equivalente a uma em cada cinco pessoas no país", afirmou o porta-voz.
"Continuamos empenhados em apoiar os esforços de recuperação liderados pelas autoridades e em ajudar as famílias a recuperar", acrescentou.
O Plano de Ação, que pedia 74 milhões de dólares (62,14 milhões de euros), está atualmente financiado em apenas 23%, de acordo com a ONU.
Nesse sentido, a organização pediu agora mais financiamento para garantir que a ajuda chega a todos os que dela necessitam em Cuba.
A posição da ONU ocorre num momento de elevadas tensões entre Washington e Havana.
Depois de suspender o envio de petróleo venezuelano para Cuba na sequência da captura de Nicolás Maduro no início de janeiro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, emitiu no final de janeiro uma ordem executiva que permite aos Estados Unidos impor tarifas aos países que vendem petróleo para Havana.
Para justificar essa política de pressão, Washington invocou uma "ameaça excecional" que Cuba, uma ilha das Caraíbas localizada a apenas 150 quilómetros da costa do estado da Florida, pode representar para a segurança dos Estados Unidos.
Por sua vez, Havana acusou Trump de "querer sufocar" a economia da ilha, onde os cortes diários de energia estão a aumentar e as filas nos postos de combustível estão cada vez maiores.
A posição norte-americana levou o México a enviar um primeiro carregamento de ajuda humanitária para a ilha, principalmente na forma de alimentos.