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Sócrates escolhe advogada Sara Moreira para o defender

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O ex-primeiro-ministro José Sócrates escolheu a advogada Sara Moreira para defendê-lo no processo Operação Marques, sendo esta a quarta advogada que mandata e que também pedirá um prazo para preparar a sua defesa.

Num requerimento a que a Lusa teve acesso, o principal arguido da Operação Marquês informa o Tribunal que passou "uma terceira procuração à Sr.ª Dr.ª Sara Moreira" para o representar e, citando a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, recorda que também Sara Moreira irá pedir tempo para se preparar.

A quarta advogada escolhida por José Sócrates, Sara Moreira, "pedirá, como é legitimo e justificado face à dimensão do processo, prazo para a preparação da defesa", refere o requerimento que cita um artigo da Convenção Europeia dos Direitos Humanos que dá aos acusados "como mínimo" o direito a "dispor do tempo e dos meios necessários para a preparação da sua defesa.

O ex-primeiro-ministro inicia o requerimento lembrando que este é "quarto advogado" que mandata, depois da morte de João Araújo e das renúncias de Pedro Delille e de José Preto, negando quaisquer responsabilidades ou motivações para tais acontecimentos terem ocorrido.

"Para o Tribunal, pelo que leio nas várias decisões, tudo o que se passou foram incidentes com motivações dilatórias (até o internamento hospitalar) deixando insinuado que, por detrás destes incidentes, estaria a minha vontade. Nem é verdade, nem é justo - também aqui estou inocente", escreve no memorando.

O ex-primeiro-ministro revelou em janeiro que o seu advogado José Preto tinha renunciado e que andava à procura de um sucessor.  

José Preto tinha pedido cinco meses e meio para se inteirar do processo, mas o pedido foi recusado.

O advogado acabou por renunciar à defesa de Sócrates quando a juíza Susana Seca se recusou a suspender o julgamento para que recuperasse totalmente de uma pneumonia.

O internamento de José Preto no final do ano passado atrasou o retomar do julgamento e levou a juíza Susana Seca a nomear uma advogada oficiosa para evitar mais paragens no processo.

Entre a renúncia de José Preto e a escolha de Sara Leitão Moreira, Sócrates foi então representado pela advogada oficiosa Ana Velho.

O ex-primeiro-ministro criticou o trabalho da advogada, acusando-a de "contemporização com o que não se pode contemporizar", ao não contestar o prazo de cinco dias que lhe foi dado para consulta do processo - com 300 mil folhas e 400 horas de gravações - e deixando críticas a que não tenha levantado uma cópia digitalizada do processo na secretaria do tribunal.

José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o 'resort' algarvio de Vale do Lobo.

No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.

Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, no primeiro semestre deste ano, podem prescrever, segundo o tribunal, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.

José Sócrates e os restantes arguidos foram dispensados pelo tribunal de comparecer no julgamento, iniciado em 03 de julho de 2025, e têm estado todos ausentes das últimas sessões.