“O número de votos alcançado revela que o Chega está consolidado na Madeira”
Em declarações esta noite ao DIÁRIO, Miguel Castro, líder do Chega Madeira, começou por afirmar que não foi alcançada a vitória pretendida em termos nacionais, uma vez que André Ventura não conseguiu a eleição para Presidente da República, mas fez questão de sublinhar que o resultado obtido, com quase 60 mil votos na Madeira, teve um significado político relevante.
Nesta segunda volta, conforme lembrou, André Ventura contou única e exclusivamente com o apoio do Chega e do seu eleitorado, enquanto António José Seguro entrou na corrida final com o apoio não apenas do Partido Socialista, mas também dos outros candidatos que concorreram na primeira volta e que manifestaram publicamente o seu apoio. Foi uma disputa “entre André Ventura e o sistema político instalado”.
No que concerne à leitura política dos resultados na Madeira, Miguel Castro afirmou que os madeirenses demonstraram vontade de mudança e de reforma política. E, apesar de André Ventura não ter vencido a eleição – nem mesmo na Madeira, onde a 18 de Janeiro foi líder –, “o número de votos alcançado revela que o Chega está consolidado na Madeira”.
Questionado sobre as declarações do presidente do Governo Regional, que manifestou a expectativa de um bom relacionamento institucional entre a Região e a Presidência da República, Miguel Castro considerou que a campanha acabou por não dar a devida centralidade a questões fundamentais para as autonomias. Defendeu que matérias como a criação de um sistema fiscal próprio, uma nova lei de finanças regionais, o reforço da coesão e da continuidade territorial – nomeadamente através da ligação marítima ao território continental – e a extinção do cargo de representante da República só podem ser concretizadas através de uma revisão constitucional.
Por outro lado, o líder regional do Chega considerou que André Ventura sai politicamente reforçado destas eleições, não apenas na Madeira, mas também a nível nacional, assumindo-se como líder da direita e líder da oposição.
Miguel Castro referiu-se ainda à ausência de André Ventura na campanha para a 2.ª volta, atribuindo-a vários constrangimentos nacionais, mas garantiu uma deslocação à Madeira num futuro próximo, com o objectivo de contactar diretamente com a população. André Ventura tem “uma grande estima pela Madeira e pelos madeirenses”.