Tribunal de Recurso confirma política dos EUA de deter imigrantes sem fiança
Um tribunal de recurso decidiu que as autoridades dos Estados Unidos (EUA) podem continuar a deter imigrantes sem fiança, numa vitória legal para a campanha de deportação de migrantes indocumentados do Presidente Donald Trump.
Um painel de juízes do 5º Circuito do Tribunal de Recurso, com sede em Nova Orleães, estado do Louisiana (sudeste) decidiu na sexta-feira à noite que a decisão do Departamento de Segurança Interna de negar audiências de fiança a imigrantes detidos é consistente com a Constituição e a lei federal de imigração.
A juíza Edith H. Jones escreveu na opinião da maioria de 2-1 que o Governo interpretou corretamente a lei ao afirmar que "os estrangeiros não admitidos detidos em qualquer parte dos Estados Unidos não são elegíveis para libertação sob fiança, independentemente do tempo que tenham residido" no país.
Sob administrações anteriores, a maioria dos estrangeiros sem antecedentes criminais que eram detidos longe da fronteira tinham a oportunidade de solicitar uma audiência de fiança enquanto os casos avançavam no tribunal de imigração.
A fiança era frequentemente concedida àqueles sem condenações criminais que não representavam risco de fuga, enquanto a detenção obrigatória estava limitada a pessoas que tivessem atravessado a fronteira recentemente.
"O facto de as administrações anteriores terem decidido usar menos do que a sua plena autoridade de aplicação" da lei "não significa que não tivessem autoridade para fazer mais", escreveu Jones.
A sentença contraria uma série de decisões recentes de tribunais inferiores em vários estados dos EUA que argumentavam que a prática é ilegal.
Em novembro, um tribunal da Califórnia (sudoeste) concedeu aos imigrantes detidos sem antecedentes criminais a oportunidade de solicitar uma audiência de fiança e teve implicações para os estrangeiros detidos em todo o país.
Há oficialmente 1,45 milhões de pessoas de origem portuguesa a residir nos Estados Unidos, de acordo com o mais recente censo, de 2020.
No último relatório dos Serviços de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos, consta que 69 portugueses foram repatriados em 2024, mais nove do que no ano anterior.
Em fevereiro de 2025, o então secretário de Estado das Comunidades Portuguesas assumiu na Assembleia da República que não existem números exatos sobre os portugueses em risco de deportação dos EUA.
José Cesário lembrou que 360 já tinham ultrapassado os 90 dias de permanência temporária concedida ao abrigo do 'visa waiver' (programa que permite viagens de negócios ou turismo sem necessidade de visto prévio) e que o Senado (câmara alta do parlamento) norte-americano tinha identificado cerca de quatro mil como fora do prazo de permanência.
Cesário acrescentou na mesma altura que estavam 24 portugueses detidos nos Estados Unidos.