Repetindo os Erros

Em Portugal, vigora um ciclo vicioso de amnésia institucional, onde a incapacidade de retirar ilações políticas das experiências passadas se tornou a norma. Este fenómeno, longe de ser uma fatalidade do destino, é o resultado de uma escolha consciente pela gestão conjuntural em detrimento do planeamento estratégico. Não importa o rasto de destruição; a história reitera-se, expondo a gritante descoordenação entre as tutelas e o desinvestimento crónico em sistemas de prevenção e resiliência. O Estado limita-se a uma postura reactiva, intervindo apenas quando o dano já é irreparável e politicamente dispendioso.

A governação tem demonstrado uma inoperância sistémica na gestão das catástrofes naturais que assolam o território. Há um autismo institucional perante as necessidades das populações mais vulneráveis, exacerbado por uma burocracia que asfixia a prontidão da resposta. Onde deveria existir solidariedade estatal, resta o sentimento de abandono. As promessas de reforma, invariavelmente proclamadas sob o calor dos holofotes, desvanecem-se mal a pressão mediática arrefece. Este “folclore” político e a retórica de circunstância são, na verdade, uma afronta à dignidade das vítimas.

Resta a questão: continuaremos reféns do imediatismo ou seremos capazes de exigir uma reforma estrutural que tenha como prioridade, finalmente, a segurança e a justiça social para todos os cidadãos?

Carlos Oliveira