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Luso-venezuelanos dizem que foram votar para fortalecer democracia em Portugal

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Foto Shutterstock

Luso-venezuelanos que se deslocaram hoje ao Consulado-geral de Portugal em Caracas disseram que foram votar nas presidenciais com a esperança de fortalecer a democracia lusa e com os olhos postos no futuro do país.

"Vim votar, em primeiro lugar, porque é meu dever como cidadão e também devido à situação que temos vivido na Venezuela. Sentimos que é nosso dever cívico votar para melhorar as condições, tanto aqui na Venezuela como em Portugal, que são os nossos dois países", explicou um piloto português à agência Lusa.

Gustavo Vivas sublinhou ser "importante que as pessoas venham, cumpram o seu dever e também se preparem para o que está por vir na Venezuela" onde, "como toda a gente sabe, a situação aqui não está bem", mas "há uma esperança ativa".

Por outro lado, o empresário Joaquim Rodrigues explicou à Lusa estar totalmente de acordo de que é importante que os luso-venezuelanos se desloquem aos consulados para votar.

"Há que votar, há que expressar o nosso voto, ou seja, a nossa decisão. Não quero falar politicamente, mas é importante que cada quem expresse a sua opinião, mesmo estando de longe de Portugal. Estamos longe, mas continuamos [a ter] as nossas intenções. A nossa vontade sempre está nos nossos princípios, que nos inculcaram", disse.

O empresário Gerardo Pestana explicou à Lusa que é importante votar para eleger o Presidente da República, inclusive para quem tem dupla nacionalidade, para que Portugal tenha um bom futuro.

"Eu vim votar, sim. Me parece que é importante, pois.  Eu tenho duas nacionalidades, tenho a venezuelana e tenho a portuguesa. E apesar de que vim da Madeira quando tinha 7 anos e meio, tenho as duas nacionalidades, e talvez já seja mais venezuelano que português, continuo a ser português. E, me interessa que Portugal tenha um bom futuro", disse.

Explicou ainda que foi votar "apesar de que o Presidente ter menos funções que o primeiro-ministro", mas por pensar "que é muito importante".

"Todos os luso-venezuelanos deveriam vir votar, mas cada quem tem a sua consciência, os seus pensamentos. Na Venezuela, desafortunadamente, há já uns quantos anos atrás se perdeu a democracia, [e isso] faz-me ter essa consciência de não me deixar perder lá [Portugal] o que aqui se perdeu", disse.

Na Venezuela reside uma das maiores comunidades portuguesas no estrangeiro. Os dados oficiais dão conta de que perto de 200.000 portugueses estão inscritos nos consulados locais, no entanto fontes não oficiais calculam que perto de 600.000 lusitanos estão radicados no país e a própria comunidade diz rondar os 1,2 milhões de cidadãos, incluindo os lusodescendentes que são apenas venezuelanos, que não têm dupla nacionalidade.

Na Venezuela existem duas circunscrições consulares: Caracas, com 35.110 recenseados, e Valência, com 20.713.

Na circunscrição do Consulado-geral de Portugal em Caracas foram abertas mesas de voto naquela representação diplomática e nos consulados honorários de Portugal em Los Teques, Barcelona, Porlamar (Ilha de Margarita) e em Trindade e Tobago (Porto of Spain).

Na circunscrição do Consulado-geral de Portugal em Valência foram abertas mesas de voto naquela representação diplomática e nos consulados honorários de Portugal em Barquisimeto e Mérida.

A segunda volta da eleição para o Presidente da República de Portugal, realiza-se, em Portugal continental e ilhas, no domingo, com dois candidatos, António José Seguro e André Ventura.

No estrangeiro as eleições decorrem hoje entre as 08:00 e as 19:00 e no domingo entre as 08:00 e as 16:00 de maneira presencial nos consulados-gerais e honorários de Portugal.