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Polícia britânica faz buscas a duas propriedades ligadas a Peter Mandelson no caso Epstein

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A polícia britânica realizou hoje buscas em duas propriedades ligadas ao antigo embaixador do Reino Unido em Washington Peter Mandelson, no âmbito da investigação a uma alegada má conduta resultante das ligações ao falecido Jeffrey Epstein.

A polícia adiantou que as buscas foram feitas em Wiltshire (sudoeste de Inglaterra) e no bairro de Camden, em Londres, em propriedades pertencentes a Mandelson, suspeito de ter transmitido informações financeiras confidenciais ao criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein, encontrado morto na cela duma prisão em Nova Iorque a 10 de agosto de 2019, de acordo com um comunicado.

As buscas estão relacionadas com "a investigação em curso contra um homem de 72 anos, por infrações relacionadas com uma falta no exercício de uma função oficial" e o indivíduo em causa "não foi detido", disse a polícia.

A vice-comissária assistente da Polícia Metropolitana, Hayley Sewart, afirmou que vários agentes da equipa central de crimes especializados "estão a executar mandados de busca" nas duas moradas.

"As buscas estão relacionadas com uma investigação em curso a crimes de má conduta em funções públicas, envolvendo um homem de 72 anos", acrescentou.

Mandelson, de 72 anos, possui residências nas duas moradas em causa.

As autoridades estão a investigar Mandelson na sequência de documentos que sugerem que terá transmitido informações governamentais sensíveis a Epstein há cerca de 15 anos. Mandelson não foi detido nem formalmente acusado.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta uma tempestade política devido à decisão tomada em 2024 de nomear Mandelson como embaixador do Reino Unido em Washington.

Na terça-feira, a polícia abriu uma investigação depois de documentos dos dossiês Epstein parecerem indicar que Mandelson terá transmitido ao consultor financeiro norte-americano informações suscetíveis de influenciar os mercados, nomeadamente quando era ministro no Governo trabalhista de Gordon Brown, entre 2008 e 2010.

No mesmo dia, Brown afirmou ter transmitido à polícia "informações relevantes" relativas à divulgação por Mandelson a Epstein de "dados sensíveis para os mercados financeiros" e de "informações governamentais confidenciais". 

Um "ato indesculpável e antipatriótico", disse o antigo primeiro-ministro britânico.

O primeiro-ministro trabalhista tem sido alvo de críticas, sendo questionado sobre o que sabia destas ligações quando, em dezembro de 2024, nomeou Mandelson embaixador em Washington. Starmer acabou por o exonerar em setembro de 2025, após revelações anteriores constantes do dossiê Epstein.

Na quinta-feira, Keir Starmer apresentou desculpas às vítimas de Epstein por ter nomeado Mandelson, mas afirmou estar determinado a manter-se em Downing Street.

"Lamento ter acreditado nas mentiras de [Peter] Mandelson e tê-lo nomeado. Sabia-se há algum tempo que Mandelson conhecia Epstein, mas nenhum de nós conhecia a extensão e a obscuridade dessa relação", acrescentou.

A 30 de janeiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou cerca de três milhões de páginas adicionais de documentos relacionados com o criminoso sexual, no âmbito da Lei de Transparência. Neste pacote estão incluídos mais de 2.000 vídeos e 180.000 imagens.

A divulgação dos documentos da investigação a Epstein reacendeu controvérsias que atingem figuras políticas, a realeza britânica e norueguesa e instituições internacionais, com impactos nos Estados Unidos, neste caso envolvendo o Presidente norte-americano, Donald Trump, França, Reino Unido, México, Noruega e Rússia.